Ciência alerta que intervenções mal conduzidas "tornam a perda de peso mais difícil e potencialmente perigosa"
O jejum intermitente, método de controlo de peso popular nos últimos anos, não apresenta vantagem significativa face às dietas tradicionais, conclui uma recente revisão científica. A nutricionista e investigadora Conceição Calhau, em entrevista ao Diário da Manhã da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), diz que não está "nada surpreendida" com o estudo - e sublinha que a base continua a ser o défice calórico, ou seja, consumir menos energia do que a que se gasta.
Segundo Conceição Calhau, muitos estudos sobre jejum intermitente estão distorcidos pelas redes sociais e influencers, que promovem práticas como saltar o pequeno-almoço ou restrições extremas de energia, sem orientação profissional.
"Esta revisão da Cochrane o que faz é ver um pouco aquilo que foi acontecendo desde 2019 e acho que aqui o grande problema são as redes sociais, são os influencers e aquilo que se diz que é o jejum intermitente, porque o jejum intermitente é saltar o pequeno-almoço. Ou seja, quando falamos em 12 a 14 horas sem comer, a maioria das vezes durante o dia, salta-se a primeira refeição, faz-se o almoço leve e faz-se uma refeição sobretudo à noite."
A nutricionista explica ainda que "aquilo que nas redes sociais vendem como milagres é importante não fazer, porque aqui, quando se faz uma intervenção, ou seja, uma alteração do comportamento alimentar com a distribuição das horas ou com aquilo que é a opção alimentar, é preciso saber quantos anos de obesidade é que estas pessoas têm, quantas dietas já fizeram - o metabolismo já está completamente viciado e nós temos mecanismos de sobrevivência extremamente em alerta".
Portanto: “Quando fazemos manipulações erráticas da alimentação, o metabolismo reage como um mecanismo de sobrevivência, tornando a perda de peso mais difícil e potencialmente perigosa”.
A especialista sublinha ainda que a perda de peso não se mede apenas em quilos, pois intervenções mal conduzidas podem levar à perda de massa muscular e afetar a sensibilidade à insulina. O cuidado com a flora intestinal e a distribuição das refeições ao longo do dia é também determinante para a saúde metabólica.
Para Conceição Calhau, comer na primeira parte do dia, respeitando ritmos circadianos e pausas alimentares, é mais eficaz do que seguir modas nas redes sociais. O foco na qualidade e no horário das refeições é essencial, mais do que a simples contagem de calorias.