Autoridades de saúde francesas confirmam: existe uma relação entre a charcutaria e o cancro do cólon

14 jul, 08:42
Charcutaria (Godong/Getty)

O governo do país anunciou que será desenvolvido um plano de ação para reduzir o uso de aditivos alimentares como os nitratos e nitritos

França é mundialmente conhecida como um dos países que mais produzem e apreciam a arte da charcutaria, mas este ramo da indústria alimentar vem agora ser abalado por um novo estudo, que confirma a relação entre os nitratos adicionados às carnes processadas e o cancro do cólon. 

Os resultados da investigação foram divulgados num relatório da Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho (Anses), publicado esta terça-feira. No documento, a organização refere que a redução de nitratos na produção deste tipo de produtos alimentares poderá resultar num maior risco de contração de doenças como botulismo, listeria ou salmonela. Ainda assim, esclarece, os potenciais riscos podem ser minimizados com a adoção de medidas que dispensem o recurso a nitratos, geralmente usados para inibir a proliferação de bactérias e prolongar o prazo de conservação dos alimentos. 

Estas medidas seriam "adaptadas a cada categoria de produto", de acordo com as suas especificidades. No caso do presunto cozido, por exemplo, bastaria a redução do prazo de validade; quanto ao presunto curado a seco, seria exigido um processo de fabrico mais complexo, que poderia passar por "um controlo rigoroso dos níveis de sal e temperatura durante as fases de salga, repouso e cura do produto". Quaisquer que sejam as alternativas a implementar, a Anses é incisiva e recomenda "a redução do consumo de nitratos e nitritos, através de uma limitação deliberada da exposição" a estes químicos.

"É preciso limitar o uso ao estritamente necessário", corroboram os ministros da Saúde e da Agricultura franceses, num comunicado conjunto. "A redução deve ser feita de uma forma equilibrada, com a garantia de segurança alimentar para o consumidor". 

O governo do país anunciou também que será desenvolvido e inaugurado, ainda este ano, um plano de ação para reduzir o uso de aditivos alimentares.

Os resultados do estudo conduzido pela Anses, apesar de alarmantes, não são inéditos. Em 2015, um estudo da Organização Mundial de Saúde considerou que carnes vermelhas ou processadas deveriam ser classificadas como cancerígenos de grupo 1, na mesma categoria que o tabaco e o amianto. Os investigadores concluíram que o consumo diário de uma porção de 100 gramas de carne vermelha aumentava o risco de cancro do cólon em 17%, enquanto uma porção de 50 gramas de carne processada provocava um aumento de cerca de 18%. 

"Os indivíduos preocupados com cancro deveriam considerar reduzir o seu consumo de carnes vermelhas ou carnes processadas, até serem desenvolvidas diretrizes atualizadas e relacionadas especificamente com o cancro", concluiu a OMS. 

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