Gouveia e Melo vai reintegrar capelão, mas este não volta aos fuzileiros

31 mar, 13:14
Chefe do Estado-Maior da Armada acompanha aprontamento de Fuzileiros (fonte: Marinha Portuguesa)

Anúncio foi feito esta manhã, durante uma missa campal. Capelão Licínio Luís após a celebração religiosa foi ainda anunciada a reintegração do capelão Licínio Luís, que será colocado na Base Naval de Lisboa, onde prosseguirá o desempenho de funções

O capelão Licínio Luís, que perguntou se Gouveia e Melo "nunca bebeu uns copos", sobre o homicídio do agente Fábio Guerra, e que tinha sido exonerado de funções, vai ser reintegrado na base do Alfeite, onde prosseguirá o desempenho de funções, como avançou o Diário de Notícias e, posteriormente, foi confirmado pela própria Marinha.

O anúncio foi feito, esta manhã, durante uma missa campal, em Pinheiro da Cruz, com o Bispo das Forças Armadas, Rui Valério, e o Capelão-chefe da Marinha, Ilídio Costa.

O almirante Gouveia e Melo, chefe de Estado-maior da Armada, que também participou da missa, perdoou o capelão e no fim da homilía lembrou “que não há relativismos morais” e que na Marinha o que se faz "é precisamente defender a vida".

"Nós não relativizamos a vida humana (...) somos uma Força para o Bem", afirmou Gouveia e Melo.

Chefe do Estado-Maior da Armada acompanha aprontamento de Fuzileiros (fonte: Marinha Portuguesa)

Apesar de ser reintegrado na Marinha, e de ir prestar serviço na base do Alfeite, Licínio Luís não vai voltar aos fuzileiros e deixará as funções de capelão.

Segundo o jornal Público, que cita fonte militar, Licínio Luís vai exercer funções de padre e ocupar-se de “gente mais idosa que requer assistência religiosa” e de familiares que frequentam a igreja no Alfeite, assim como da celebração de casamentos.

O capelão Licínio Luís foi exonerado de funções depois de se ter reunido com o Chefe de Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Gouveia e Melo. Licínio Luís tinha utilizado as redes sociais para defender os fuzileiros suspeitos de matarem Fábio Guerra, o agente da PSP que foi espancado após tentar separar uma briga entre dois militares da Marinha. "O senhor almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos", escreveu no Facebook.

O capelão tinha-se, entretanto, retratado das declarações numa nova mensagem no Facebook. "É muito importante reconhecer perante vós e perante a Marinha, enquanto militar, que errei ao dirigir-me de forma incorreta, inapropiada, interpretativa e pública ao Almirante CEMA, que respeito pelo seu exemplo de coragem, de serviço prestado e dedicação à Marinha. Reli o discurso dele, na intranet, e constato que defendeu a decência humana que a todos nos deve animar. O Almirante CEMA sempre foi um adepto dos Fuzileiros e não tenho dúvidas, agora mais a frio, que tomou a única posição possível e ética ao traçar para toda a Marinha uma linha vermelha de comportamento".

Celebrada uma missa campal de sétimo dia de homenagem ao agente da PSP Fábio Guerra, pelo Bispo das Forças Armadas, D. Rui Valério, e do Capelão Chefe da Marinha (fonte: Marinha Portuguesa)

Segundo avançou o jornal Expresso na terça-feira, Licínio Luís defendeu inicialmente no Facebook os fuzileiros envolvidos, sublinhando que os “jovens estavam a divertir-se e foram provocados”. Na publicação, entretanto removida, o capelão criticou as duras palavras do almirante Gouveia e Melo durante o discurso que fez aos Fuzileiros no Alfeite e no qual censurou o ataque “selvático, desproporcional e despropositado” a Fábio Guerra. Licínio Luís tem outra visão dos factos: “Quem não o fazia. É selvagem por isso? O senhor almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos. Aguardemos pelas investigações. Os nossos jovens têm direito a serem respeitados. Os jovens da PSP estavam no mesmo âmbito e alcoolicamente tão bem-dispostos como os nossos. Juízo com os nossos julgamentos”, afirmou Licínio Luís.

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