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Viúva de Alexei Navalny diz que o opositor russo foi envenenado na prisão. E tem provas

CNN , Anna Chernova
17 set 2025, 15:53
Russos assinalaram primeiro aniversário da morte de Alexei Navalny (EPA)

Dois laboratórios estrangeiros analisaram amostras que permitem concluir que Navalny morreu por envenenamento enquanto estava preso numa colónia penal na Sibéria

Análises laboratoriais de amostras secretamente retiradas do falecido líder da oposição russa Alexei Navalny mostram que ele foi envenenado enquanto estava preso numa colónia penal na Sibéria, afirma a sua viúva, Yulia Navalnaya. 

Os testes foram realizados de forma independente por dois laboratórios estrangeiros distintos, ambos chegando à mesma conclusão, de acordo com Navalnaya. 

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse em conferência de imprensa na manhã desta quarta-feira que não tinha conhecimento das alegações. 

Navalny, um feroz crítico do presidente russo Vladimir Putin, morreu aos 47 anos numa colónia penal a norte do Círculo Polar Ártico, em fevereiro de 2024. Segundo o serviço prisional russo, ter-se-á sentido mal durante uma caminhada na prisão e perdeu a consciência. 

A viúva de Navalny há muito que responsabiliza Putin pela sua morte. Moscovo nega qualquer envolvimento. 

A sua morte gerou protestos por todo o mundo, com muitos a concentrarem-se frente às embaixadas russas em capitais europeias, incluindo Berlim e Paris, empunhando cartazes com frases como “Putin é um assassino” e “Putin para Haia”. 

“Há um ano e meio prometi que faríamos tudo para investigar o assassinato do Alexei,” disse Navalnaya num vídeo publicado na rede X na quarta-feira. “Estamos a cumprir essa promessa.” 

De acordo com a viúva, os alegados assassinos de Navalny “trabalharam cuidadosamente” para eliminar vestígios, mas que algumas amostras biológicas dos restos mortais do opositor foram obtidas e enviadas para o estrangeiro. 

“Laboratórios de, pelo menos, dois países analisaram estas amostras de forma independente. E estes laboratórios, em dois países diferentes, chegaram à mesma conclusão: o Alexei foi morto — mais concretamente, foi envenenado.” 

Navalnaya não especificou qual o veneno encontrado pelos laboratórios e forneceu poucos outros detalhes. No entanto, apelou às instituições para que divulguem os resultados. 

“O Alexei era o meu marido. Era o meu amigo. Era um símbolo de esperança para o nosso país. O Putin matou essa esperança”, afirmou. 

Navalnya também partilhou imagens que, segundo diz, mostram a cela do marido, incluindo uma em que se vê aquilo que afirma ser o seu vómito. 

Questionada pela CNN Internacional, a equipa de Navalny afirmou ainda não ter recebido os relatórios completos dos laboratórios envolvidos e explicou que, em parte, decidiram tornar públicas as acusações para pressionar os laboratórios a divulgar as conclusões. Não foram divulgadas mais informações nem que países estavam envolvidos nos testes. 

Em 2021, Navalny regressou à Rússia vindo da Alemanha, onde tinha sido tratado após ter sido envenenado com Novichok, um agente neurotóxico da era soviética. Ao chegar, foi imediatamente detido com base em acusações que sempre considerou politicamente motivadas. 

Desde então, esteve sempre preso, com preocupações constantes pela sua segurança, que se agravaram depois de ter sido transferido para a colónia penal conhecida como “Lobo Polar”. Passou as suas últimas semanas na prisão siberiana, onde disse dormir coberto apenas com um jornal para se aquecer. 

A sua família foi impedida de aceder ao corpo durante vários dias após a morte, o que alimentou ainda mais as suspeitas de crime entre os seus apoiantes. 

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