Candidata da esquerda (menos PCP) deu entrevista à CNN Portugal. Carlos Moedas não o fez porque, e até ao momento, não aceitou o convite da CNN Portugal
Alexandra Leitão é a candidata de toda a esquerda - menos o PCP - à maior autarquia do país, Lisboa. Em entrevista exclusiva à CNN Portugal, a antiga ministra e deputada do Partido Socialista afirma que a sua candidatura representa uma alternativa “progressista, humanista e responsável” ao atual executivo liderado por Carlos Moedas.
Um dos temas mais discutidos na cidade é a alegada maior insegurança. “Enquanto candidata, a perceção de insegurança preocupa-me e deve ser combatida”, defende, aproveitando para acusar Carlos Moedas de “alimentar essa perceção”. “Proponho cinco medidas: investir na iluminação pública; instalar câmaras de videovigilância; aumentar o número de agentes, que está no ponto mais baixo em cinco anos; regular a vida noturna; e combater o tráfico de droga. Esta eleição em Lisboa resume-se a uma coisa que se diz numa frase: escolher entre quem fala e quem faz, entre quem faz propaganda e quem toma decisões”, afirma Alexandra Leitão.
A habitação surge como uma das prioridades centrais do programa que Alexandra Leitão apresenta aos lisboetas. A socialista tem a certeza de que houve um agravamento das condições de acesso à habitação na cidade: “Aquilo que é considerado normal como taxa de esforço é cerca de 30% do rendimento familiar. Em Lisboa, as pessoas gastam muito, muito mais do que isso”. Propõe aumentar a oferta de habitação pública para “pelo menos 20%, através de parcerias com privados e cooperativas, mas também com a reabilitação de imóveis municipais”.
Uma gaveta cheia de casas
Na entrevista à CNN Portugal no dia em que apresentou formalmente a coligação em Lisboa, aproveitou para apontar o dedo ao atual presidente da autarquia por não ter dado seguimento a projetos já prontos: “Queremos tirar imediatamente do papel os projetos de renda acessível que estavam previstos para o Restelo, para a Ajuda, para Benfica e para o Parque das Nações - que ficaram finalizados em 2021 e que Carlos Moedas engavetou”.
Na área da mobilidade, Alexandra Leitão propõe “transportes gratuitos para todos” e o reforço da Carris e do Metro, criticando a “mobilidade caótica” da cidade e defendendo também uma cidade “mais amiga do ambiente, mais limpa”.
Sobre o turismo, clarifica que não pretende travar o setor, mas sim controlá-lo: “Nada disto vai prejudicar o turismo. É preciso desconcentrar, e não parar, os hotéis dentro da cidade”.
Em relação ao alojamento local, considera essencial um reforço da fiscalização. “É preciso saber quanto é legal e quanto não é e fiscalizar aquilo que não é legal.”
Sobre os despejos em Loures: "Acionaria o artigo 13"
Confrontada com a recente polémica dos despejos em Loures, Alexandra Leitão mostra-se alinhada com a posição oficial do PS. “Revejo-me inteiramente nas palavras do meu secretário-geral, José Luís Carneiro: é preciso adotar soluções equilibradas com humanismo e sensibilidade social”.
No entanto, sublinha a importância de cumprir a legislação em vigor: “O artigo 13 da Lei de Bases da Habitação é claro: as situações ilegais devem ser objeto de despejo, mas garantindo soluções alternativas para famílias vulneráveis”.
A principal opositora de Moedas defende igualmente o reforço da habitação pública como forma de prevenir o regresso das barracas à cidade: “Na década de 90, dois presidentes da Câmara de Lisboa, socialistas, acabaram com as barracas. Precisamos de evitá-las com mais habitação pública, incluindo através de construção modular e industrial, que é mais célere”.
Quatro anos "perdidos"
Alexandra Leitão sublinha que a candidatura que encabeça resulta de um acordo programático "sólido", fruto de negociações com os partidos envolvidos - PS, Livre, PAN e Bloco de Esquerda -, mas sem cedências estruturais à sua visão inicial: “O resultado final deste acordo é absolutamente coincidente com a visão estratégica que a minha candidatura desde o início teve”.
“É uma coligação alargada que inclui quatro partidos, mas sobretudo é uma candidatura que está aberta a quem tenha uma visão para a cidade”, explica, deixando o convite aberto a todos os lisboetas que “não se revejam no que tem acontecido nos últimos quatro anos”.
Para Alexandra Leitão, Lisboa vive um momento de rutura e de necessidade urgente de mudança: “Temos uma cidade adiada, quatro anos perdidos, uma cidade em que se vive pior”.
NOTA: Carlos Moedas foi convidado pela CNN Portugal para uma entrevista, mas até ao momento não aceitou o convite.