PSD critica forças de segurança e antecipa parceria entre PS e Chega no IRS. "Falso, falso, falso", respondem os socialistas

4 jun, 23:29

Debate aceso entre os líderes das duas maiores bancadas parlamentares

Hugo Soares, líder da bancada parlamentar do PSD, criticou esta terça-feira a postura dos representantes das forças de segurança durante as negociações com o Ministério da Administração Interna (MAI) sobre o aumento do suplemento de missão.

Ao momento em que o social-democrata intervinha no debate na CNN Portugal com a líder da bancada parlamentar do PS, Alexandra Leitão, três representantes das forças de segurança já tinham abandonado a reunião com Margarida Blasco sobre o aumento do suplemento de missão atribuído. Isto mesmo depois de o Governo ter proposto um aumento de 300 euros no âmbito do respetivo subsídio, que acabou sem qualquer acordo.

“Alguém no país acha que 300 euros de aumento imediato é um sinal de que o Governo não está a querer negociar e não está a querer ajudar a combater a injustiça criada pelo PS?”, questionou, referindo-se ao aumento atribuído à PJ pelo anterior Governo, situação que gerou “uma injustiça e uma inequidade” para com as restantes forças de segurança.

Hugo Soares diz estar a assistir “com preocupação” ao que está a acontecer, acusando os representantes das forças de segurança de se apresentarem nas reuniões com o Governo com “uma atitude de não querer chegar a acordo”.

“Não estamos a falar de uma ninharia. Em qualquer salário, um aumento instantâneo de 300 euros é significativo. São milhões de euros”, salientou o social-democrata, admitindo mesmo que este aumento de 300 euros teria “um impacto brutal nas contas públicas” mas que, ainda assim, “o Governo decidiu dar esse passo” para resolver um problema que diz ter sido criado pelo PS.

Neste cenário de braço de ferro entre o Governo e os sindicatos, Hugo Soares diz mesmo ter “dúvidas de que a maior parte das forças de segurança deste país se sintam representados pela atitude dos seus representantes”.

Questionado sobre o que tenciona fazer o Governo se a reunião desta terça-feira acabar sem acordo - o que se veio a confirmar momentos mais tarde - Hugo Soares colocou a hipótese de o executivo “determinar o aumento do subsídio nesse valor (300 euros), independentemente de os sindicatos estarem de acordo ou não”.

IRS: uma convicção falsa?

PS e Chega têm uma concertação para fazerem aprovar a proposta socialista de descida do IRS. A ideia foi avançada pelo líder da bancada parlamentar do PSD, que não vê quaisquer possibilidades de aproximação entre os dois maiores partidos.

Em entrevista na CNN Portugal, onde esteve em debate com a líder da bancada parlamentar do PS, Hugo Soares garantiu que “houve mesmo uma tentativa de aproximação do lado do PSD”, que entregou a proposta há 15 dias, sendo que antes disso falou com todos os grupos parlamentares.

Já o PS, acusou, apesentou a proposta apenas no fim da linha, na passada sexta-feira. Em cima da mesa está uma “opção de política pública”, nomeadamente por um maior empoderamento da classe média, que o PSD diz ter sido esquecida pelos governos anteriores.

Isto como contexto, mas depois veio a antecipação do que Hugo Soares acredita que vai acontecer no Parlamento, onde as propostas vão mesmo a votação esta quarta-feira, depois de terem sido adiadas por duas vezes.

“A proposta que vai ser aprovada é a do PS, não tenho dúvida nenhuma. Por uma razão: o Chega e o PS, e quero repetir de forma muito clara, estão feitos um com o outro para bloquearem a governação”, sublinhou, assinalando que o PS apresentou duas propostas, “uma que disse e outra que não disse”.

Hugo Soares não tem provas, mas tem uma “convicção” política de que assim será, concordando até que votem juntos, se assim o entendem. “Há uma intencionalidade” de ambos de fazerem aprovar a proposta do PS, acrescentou, recusando aceitar algumas das declarações do PS durante as campanhas eleitorais, em que os socialistas tentaram colar o PSD ao Chega.

De resto, para o PSD esta concertação não se limita ao IRS. O mesmo acontece, garantiu, no IVA da eletricidade ou no fim do pagamento das portagens nas antigas SCUT. “Estamos todos a viver uma realidade paralela”, terminou.

“Falso, falso, falso”. Foi desta forma que Alexandra Leitão rejeitou qualquer “negociação, conluio” ou um qualquer outro sinónimo de entendimento entre PS e Chega.

A líder da bancada parlamentar garantiu, de resto, que é mesmo assim. Não há qualquer entendimento nem houve uma negociação, tendo o Chega sido deixado à parte, até porque o PS falou, segundo a responsável, com as outras bancadas parlamentares.

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