Confessou vários crimes relacionados com lavagem de dinheiro e um esquema de Bitcoin, mas acaba por ser o homem libertado na sequência de um acordo
Em 2017 foi preso na Grécia, três anos depois foi condenado em França e agora estava à espera de condenação na Califórnia, onde confessou ser parcialmente culpado das acusações que tinha pendente.
Alexander Vinnik, conhecido mafioso ligado ao cibercrime, é, segundo o The New York Times, o homem que os Estados Unidos vão libertar em troca do regresso do professor Marc Fogel, norte-americano que estava detido na Rússia desde 2021 e a cumprir uma pena de 14 anos, depois de condenado por posse de canábis, sendo que a droga lhe tinha sido receitada para efeitos medicinais.
Atualmente com 44 anos, este homem é um perito em informática que se encontra detido nos Estados Unidos na sequência de acusações relacionadas com lavagem de dinheiro através de Bitcoin.
Embora não tenha confessado todos os crimes de que estava acusado, Alexander Vinnik disse ao tribunal da Califórnia que era culpado de alguns dos 21 dos crimes que pendiam sobre si.
Depois de Donald Trump ter dito que a Rússia não tinha pedido “nada de mais” para libertar Marc Fogel, o Kremlin acabou por anunciar antecipadamente que um cidadão russo ia ser libertado, à imagem do que já tinha sido feito anteriormente noutros casos. O conselheiro nacional de segurança da Casa Branca chamou ao gesto russo uma “amostra de boa-fé”, vendo ali sinais de que há uma relação para desenvolver.
O “nada de mais” é, sabe-se agora, o homem de 44 anos originário da remota região de Kurgan, para lá dos Montes Urais, já na Rússia asiática.
Entre 2011 e 2017 trabalhou na BTC-e, uma corretora de criptomoedas que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos descreveu como uma das principais correntes de transferência de dinheiro entre os cibercriminosos.
A agência RIA Novosti noticiou que o homem foi detido a 25 de julho de 2017 na península de Halkidiki, na Grécia, onde estava de férias, a pedido dos Estados Unidos. Estava com os filhos e foi à frente deles que foi algemado e levado pelas autoridades.
As bases para a detenção eram suspeitas de lavagem de dinheiro que ascendiam a quase quatro mil milhões de euros através do comércio de Bitcoin. Rapidamente se tornou alvo de processos de extradição para Estados Unidos, claro, mas também para França e para a Rússia.
Em 2018 acabou por entrar numa greve de fome de três meses em protesto contra a sua detenção na Grécia, mas só a 5 de agosto de 2022 é que foi visto num tribunal norte-americano, em São Francisco, onde acabou por responder pelos indícios dos tais 21 crimes.
Na sequência de um longo julgamento, Alexander Vinnik acabou por confessar, em 2024, um esquema de conspiração para lavagem de dinheiro, o mesmo crime pelo qual era acusado em França, pode onde não chegou a passar.
O seu advogado, Arkady Bukh, acabou por confessar que o seu cliente admitiu uma série de crimes num acordo que lhe permitiu reduzir a pena para 10 anos de prisão efetiva, sendo que o tempo de condenação inicialmente previsto era bem maior.
Talvez num sinal de que saberia de alguma coisa, a mãe de Alexander, Vera Vinnik, disse em janeiro deste ano que esperava que a chegada de Donald Trump à Casa Branca pudesse trazer algum desenvolvimento, preferencialmente a libertação do seu filho.
Em declarações reproduzidas pela agência RIA Novosti, Vera Vinnik disse que Donald Trump era um “homem clássico, de família, adequado neste ponto de vista, que disse que só reconhecia dois géneros, masculino e feminino”.
Nem há 15 dias, a 30 de janeiro, o Departamento de Justiça reiterou as suas alegações, dizendo que Alexander Vinnik “era um dos operadores da BTC-e, que era uma das maiores casas de câmbio virtuais”, mas também “uma das principais formas de os cibercriminosos transferirem dinheiro em todo o mundo”.