Morreu o político alemão Wolfgang Schäuble

CNN Portugal , MJC com Lusa
27 dez 2023, 08:40
Wolfgang Schäuble em 2017 (Arquivo AP)

Histórico deputado do Bundestag e ministro das Finanças de Angela Merkel, Schäuble ficou conhecido pelas suas políticas de austeridade. Tinha 81 anos

O político alemão Wolfgang Schäuble morreu aos 81 anos, informou a sua família à agência noticiosa alemã dpa. Schäuble, que foi deputado do Bundestag por mais de meio século, dedicou grande parte da sua carreira à reunificação da Alemanha e mais tarde foi ministro das Finanças de Angela Merkel durante a crise do euro, morreu pacificamente na noite de terça-feira.

Schäuble pertencia à CDU - União Cristã-Democrática e chegou ao Bundestag (Parlamento alemão) em 1972, onde permaneceu como deputado ininterruptamente até quase à sua morte. A sua carreira ministerial começou em 1984, quando foi nomeado pelo chanceler Helmut Kohl. Em 1989, como ministro do Interior, liderou as negociações de reunificação em nome da República Federal da Alemanha.

Durante o seu mandato como ministro do Interior, Schäuble foi um dos políticos mais populares da Alemanha e foi regularmente mencionado como um possível futuro chanceler, embora tenha enfrentado críticas de activistas dos direitos civis pelas suas políticas de lei e ordem. Após a derrota da CDU/CSU nas eleições federais de 1998, Schäuble sucedeu a Kohl como presidente da CDU, mas renunciou menos de dois anos depois, devido a um escândalo de financiamento do partido. Em 2005, tornou-se novamente Ministro do Interior no gabinete da chanceler Angela Merkel e, em 2009, ministro das Finanças, cargo que ocupou durante quase oito anos. 

Wolfgang Schäuble foi uma figura central no esforço pesado de austeridade para tirar a Europa da sua crise da dívida. Chegou ao Ministério das Finanças pouco antes das revelações sobre o crescente défice orçamental da Grécia desencadearem a crise que envolveu o continente europeu e ameaçou desestabilizar a ordem financeira mundial. Apoiante de longa data de uma maior unidade europeia, ajudou a liderar um esforço de anos que visava uma integração mais profunda e um conjunto de regras mais rigoroso. Contudo, a Alemanha foi alvo de críticas pela sua ênfase na austeridade e pela aparente falta de generosidade. Assumiu uma posição dura em relação aos países do sul da Europa e rejeitou os apelos do Fundo Monetário Internacional para dar à Grécia mais tempo para controlar o seu défice.

Wolfgang Schäuble com Angela Merkel em 2010 (Arquivo AP)

Defensor da austeridade, o orçamento de Schäuble para 2014 tornou a Alemanha livre de dívidas pela primeira vez desde 1969. Depois de oito anos como ministro das Finanças, Schäuble consolidou o seu estatuto de estadista mais velho ao tornar-se presidente do parlamento alemão – o último passo numa longa carreira política na linha da frente.

Em 12 de outubro de 1990, aos 48 anos e logo após a reunificação, Schäuble foi alvo de uma tentativa de assassinato por Dieter Kaufmann, que disparou três tiros contra ele após um evento de campanha eleitoral com a presença de cerca de 300 pessoas em Oppenau. Schäuble ficou gravemente ferido na medula espinhal e no rosto. Um guarda-costas também ficou ferido. Schäuble ficou paralisado devido ao ataque e desde então andava numa cadeira de rodas. O atirador foi declarado doente mental pelos juízes e internado numa clínica, tendo sido libertado em 2004.

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