"Simplesmente já não temos": Alemanha fica sem mísseis de defesa aérea e já não pode enviá-los para a Ucrânia

18 fev, 13:22
Mísseis Patriot (U.S. Department of Defense/ASSOCIATED PRESS)

As declarações surgem depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter alertado na Conferência de Segurança de Munique que a Ucrânia enfrenta uma escassez de mísseis intercetores

“Simplesmente já não temos mais nenhum [míssil].” Foi com estas palavras que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, admitiu esta quarta-feira que Berlim esgotou os seus próprios mísseis de defesa aérea e já não pode transferi-los diretamente para a Ucrânia a partir das reservas nacionais.

Numa entrevista à rádio pública alemã Deutschlandfunk, citada pela rádio ucraniana Suspilne esta quarta-feira, Wadephul explicou que parte do atraso nas entregas europeias deve-se ao facto de os arsenais alemães estarem praticamente vazios.

O governante acrescentou que os restantes mísseis superfície-ar, incluindo os destinados aos sistemas Patriot de fabrico norte-americano, não estão disponíveis para transferência direta a partir dos armazéns alemães.

As declarações surgem depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter alertado na Conferência de Segurança de Munique que a Ucrânia enfrenta uma escassez de mísseis intercetores.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, à direita, e Andrij Sybiha, MNE da Ucrânia, inauguram a Casa da Ucrânia na 62.ª Conferência de Segurança de Munique, em Munique, Alemanha, a 13 de fevereiro de 2026. (Kay Nietfeld/dpa via AP

Segundo Wadephul, os novos mísseis produzidos estão a ser enviados diretamente para a Ucrânia através de um mecanismo financiado por parceiros europeus, sobretudo pela Alemanha. O ministro sublinhou que Berlim tem reforçado repetidamente a defesa aérea ucraniana e fornecido tudo o que é possível a partir das suas próprias reservas.

O responsável alemão defendeu ainda que a Alemanha continua a financiar uma parte significativa da ajuda recebida por Kiev, argumentando que a defesa da Ucrânia contribui diretamente para a segurança europeia.

Ao mesmo tempo, apelou a um maior envolvimento dos restantes países europeus, considerando "urgente o reforço das contribuições para a defesa aérea ucraniana", numa altura em que a Rússia mantém ataques em larga escala com mísseis e drones contra cidades e infraestruturas do país.

Esta quarta-feira, a Ucrânia acusou a Rússia de ter lançado 126 drones, dos quais 100 foram intercetados, enquanto outros 14 atingiram diferentes zonas da Ucrânia, cuja localização não foi divulgada.

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