As declarações surgem depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter alertado na Conferência de Segurança de Munique que a Ucrânia enfrenta uma escassez de mísseis intercetores
“Simplesmente já não temos mais nenhum [míssil].” Foi com estas palavras que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, admitiu esta quarta-feira que Berlim esgotou os seus próprios mísseis de defesa aérea e já não pode transferi-los diretamente para a Ucrânia a partir das reservas nacionais.
Numa entrevista à rádio pública alemã Deutschlandfunk, citada pela rádio ucraniana Suspilne esta quarta-feira, Wadephul explicou que parte do atraso nas entregas europeias deve-se ao facto de os arsenais alemães estarem praticamente vazios.
O governante acrescentou que os restantes mísseis superfície-ar, incluindo os destinados aos sistemas Patriot de fabrico norte-americano, não estão disponíveis para transferência direta a partir dos armazéns alemães.
As declarações surgem depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter alertado na Conferência de Segurança de Munique que a Ucrânia enfrenta uma escassez de mísseis intercetores.
Segundo Wadephul, os novos mísseis produzidos estão a ser enviados diretamente para a Ucrânia através de um mecanismo financiado por parceiros europeus, sobretudo pela Alemanha. O ministro sublinhou que Berlim tem reforçado repetidamente a defesa aérea ucraniana e fornecido tudo o que é possível a partir das suas próprias reservas.
O responsável alemão defendeu ainda que a Alemanha continua a financiar uma parte significativa da ajuda recebida por Kiev, argumentando que a defesa da Ucrânia contribui diretamente para a segurança europeia.
Ao mesmo tempo, apelou a um maior envolvimento dos restantes países europeus, considerando "urgente o reforço das contribuições para a defesa aérea ucraniana", numa altura em que a Rússia mantém ataques em larga escala com mísseis e drones contra cidades e infraestruturas do país.
Esta quarta-feira, a Ucrânia acusou a Rússia de ter lançado 126 drones, dos quais 100 foram intercetados, enquanto outros 14 atingiram diferentes zonas da Ucrânia, cuja localização não foi divulgada.