Segundo a acusação, é possível que o número de vítimas mortais seja superior. O médico está detido desde agosto do ano passado
O Ministério Público de Berlim acusou, esta quarta-feira, um médico de cuidados paliativos de 15 crimes de homicídio. O clínico, identificado pela imprensa alemã como Johannes M., terá administrado doses letais de vários medicamentos - anestésico seguido de um relaxante muscular - a doentes paliativos, podendo o número de vítimas mortais ser superior.
Inicialmente, o médico era suspeito de estar envolvido em quatro mortes ocorridas no ano passado, que terá tentado encobrir ateando fogo aos apartamentos das vítimas, noticia a Reuters. Estes incêndios suspeitos deram azo à investigação levada a cabo, que dá agora conta que em causa estão, pelo menos, 15 assassinatos.
Segundo o Bild, os crimes terão acontecido entre 22 de setembro de 2021 e 24 de julho de 2024, tendo o médico sido detido em agosto do ano passado. As vítimas até agora identificadas são homens e mulheres com idades entre os 25 e os 94 anos e de vários estados alemães.
A acusação diz que a combinação medicamentosa letal foi administrada a doentes paliativos que não estavam em processo ativo de morte e suspeita-se que o ato terá acontecido sem o conhecimento ou consentimento das vítimas. “Sem indicação médica, ele terá administrado um agente de indução anestésica e, de seguida, um relaxante muscular aos seus pacientes, sem o conhecimento ou consentimento dos mesmos”, afirma Sebastian Büchner, porta-voz do Ministério Público, citado pelo Bild.
O médico, de 40 anos, para já, não confessou ainda qualquer crime, mas os procuradores do Ministério Público da Alemanha fizeram já um pedido para que seja aplicada uma proibição vitalícia do exercício da profissão.