Grande derrota para o homem que está mais bem colocado para ser o próximo chanceler
O parlamento alemão chumbou a polémica proposta de lei que previa um endurecimento da política migratória, numa decisão que não se esperava, já que o projeto da CDU esperava contar com largo apoio.
Um total de 350 deputados votaram contra, tendo havido 338 votos a favor e cinco abstenções. Houve ainda 43 deputados que não votaram, o que acabou por dar a vitória ao não.
O projeto de lei tinha dado entrada por iniciativa da CDU, partido que lidera a oposição, e que é o mais bem colocado nas sondagens para as legislativas que se realizam a 23 de fevereiro.
O partido conservador, outrora liderado por Angela Merkel, propunha um endurecimento da política migratória.
A votação ocorrida na câmara baixa atrasou-se várias horas por causa de um pedido de última hora para que se pudesse chegar a um compromisso. O texto, impulsionado pelos conservadores liderados por Friedrich Merz, devia contar com o apoio de liberais, mas também com os extremistas da Alternativa para a Alemanha (AfD) e da esquerda populista.
De acordo com a imprensa alemã, um grande aplauso ecoou da sala do FDP, o partido de Olaf Scholz que ainda está no governo, e que celebrou o chumbo desta polémica lei.
Esta era uma aposta arriscada para Friedrich Merz, que acaba por sofrer uma derrota no parlamento, o que lhe pode complicar as pretensões para as eleições, até porque a AfD já está a tentar capitalizar o voto, com a líder, Alice Weidel, a referir que o líder da CDU é um "capacho".
Sem se conhecer o sentido de voto de cada um dos deputados, abre-se a porta para que tenha sido uma fragmentação na própria CDU a levar a este resultado, o que poderá ser visto como resultado da pressão de uma figura forte da política alemã. É que Angela Merkel criticou a provável aliança com a extrema-direita, o que fez soar alarmes no partido, que ter-se-à dividido.
