Conservadores vencem na Alemanha. Extrema-direita em segundo com votação recorde

23 fev 2025, 17:07
Friedrich Merz, da CDU

Sociais-democratas, que estavam no poder com Olaf Scholz, perdem cerca de 9 pontos percentuais e ficam em terceiro lugar no pior resultado de sempre do partido

As primeiras projeções das eleições legislativas da Alemanha colocam a CDU como a vencedora, com 28,5%.

De acordo com a agência Reuters, o partido de Friedrich Merz deve vencer as legislativas.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita liderada por Alice Weidel, consegue uma votação recorde, esperando-se uma votação na ordem dos 20%.

Já os sociais-democratas do SPD, partido que liderava a coligação que suporta o atual governo de Olaf Scholz, caíram cerca de 9 pontos percentuais para o pior resultado de sempre, com 16,5%.

De acordo com as mesmas projeções, os resultados projetados são os seguintes:

Conservadores - CDU/CSU: 28,5 %

Extrema-direita - Alternativa para a Alemanha (AfD): 20%

Sociais-democratas - SPD: 16,5 %

Os Verdes: 12 %

A Esquerda - Die Linke: 9%

Liberais - FDP: 5%

Extrema-esquerda - BSW 5%

Começa agora o trabalhoso processo de encontrar uma coligação que sirva uma forma de governo, aparecendo Friedrich Merz como o natural nome para suceder a Olaf Scholz no cargo de chanceler, num regresso dos conservadores ao poder, depois da saída de Angela Merkel.

Sem maioria parlamentar, a CDU terá de olhar para o lado para tentar encontrar parceiros que sirvam para uma coligação governativas, num parlamento em que são precisos 316 dos 630 lugares para alcançar uma maioria.

O exercício mais expectável é que a CDU olhe para o SPD como o parceiro de governo, o que resultaria num bloco central. Nesta altura, e com as projeções tão renhidas, é ainda difícil de perceber se os dois juntos chegam para formar maioria no Bundestag, o parlamento alemão, sendo que as primeiras indicações apontam que essa união não chega para formar governo.

As projeções dão 197 deputados para a CDU (os mesmos que já tem), 141 para a AfD (mais 58), 114 para o SPD (menos 92), 83 para Os Verdes (menos 35), 60 para o Die Linke (mais 21) e 34 para o BSW (não tinha deputados). Há ainda um lugar para distribuir que pode calhar a vários partidos.

Merz quer formar governo rápido

Friedrich Merz, provavelmente o próximo chanceler da Alemanha, apareceu para, naturalmente, reclamar vitória numa “tarde eleitoral histórica”.

O líder dos conservadores garante saber a responsabilidade que lhe recai nos ombros e a dimensão da tarefa que tem pela frente, nomeadamente depois de uma campanha “muito dura”, e que foi marcadapor economia, imigração e política externa e de segurança.

Ainda assim, Friedrich Merz está confiante de que vai conseguir “criar um governo capaz de agir nos interesses da Alemanha”, ressalvando que esse executivo tem de ser criadoo quanto antes.

“O mundo lá fora não espera por nós ou por negociações demoradas”, referiu, sem abrir o jogo sobre quem podem ser os parceiros nessas negociações. De resto, o próprio deixou a entender que isso não é conversa para esta noite: "Precisamos de criar um governo estável o mais depressa possível... agora é celebrar e amanhã começar a trabalhar".

Já depois de conhecidas as primeiras projeções, os candidatos organizaram-se num pequeno debate de rescaldo, com Friedrich Merz a ir mais longe nas palavras. Quer um governo que represente toda a Alemanha, sim, o que significa que não poderá haver coligação com a AfD.

“Não vamos entrar em conversações para uma coligação com a AfD. Dissemo-lo antes das eleições e o povo que votou na AfD sabia disso”, afirmou, puxando para si uma “vitória muito clara”.

“Vou procurar construir um governo que represente todo o país e que resolva os problemas do país. Não é segredo nenhum que preferia ter apenas um parceiro de coligação”, acrescentou.

AfD festeja de imediato

Perante um resultado que confirmou o que já se esperava, a líder da AfD, Alice Weidel, foi a primeira a reagir, no meio de muitos festejos na sede do partido de extrema-direita.

A candidata que foi declaradamente apoiada por Elon Musk notou que o seu partido foi o único a conseguir duplicar a votação em relação às últimas eleições, deixando mesmo a garantia de que está pronta para governar.

“A nossa mão continua esticada para formar um governo”, atirou, sabendo-se que a CDU de Friedrich Merz já negou essa possibilidade.

Alice Weidel festeja o melhor resultado de sempre da AfD (Filip Singer/EPA)

Sabendo disso, Alice Weidel acrescentou que, caso os conservadores ignorem a votação da AfD e recusem entrar numa coligação com o partido, a extrema-direita será vencedora nas próximas eleições.

"Estamos abertos a uma coligação com a CDU. Caso contrário não haverá uma mudança política possível na Alemanha", reiterou, falando num partido que nunca foi tão forte nacionalmente.

Scholz reconhece derrota e pede que nunca se aceite a AfD

Grande derrotado destas eleições, Olaf Scholz sabia disso mesmo quando apareceu perante os apoiantes, assumindo o resultado deste domingo como “amargo”.

Aceitano a derrota e a dimensão da mesma, o ainda chanceler alemão agradeceu aos seus apoiantes, mas também felicitou a CDU e Friedrich Merz pela vitória nas eleições, reconhecendo que é aos conservadores que cabe a formação de um governo a partir de agora.

Ainda que não tenha desvendado a posição sobre uma eventual coligação, Olaf Scholz quis sublinhar que o SPD tem um longo historial de democracia, referindo que a AfD é um partido “que nunca devemos aceitar”.

AfD venceu "lá fora"

As primeiras felicitações vão todas para a extrema-direita alemã, com um coro de publicações nas redes sociais a parabenizar Alice Weidel.

Uma das primeiras reações vem do presidente dos Estados Unidos, que escreveu na rede Truth Social, que "o povo da Alemanha fartou-se de um agenda sem senso comum, especialmente na energia e na imigração".

Donald Trump felicita, assim, Alice Weidel, candidata fervorosamente apoiada por Elon Musk, que entrou mesmo em campanha a favor da AfD, tendo até emitido uma live em direto na rede social X com a líder da extrema-direita.

"Este é um grande dia para a Alemanha", reiterou.

André Ventura, presidente do Chega, também destacou o resultado da AfD.

A Alice Weidel acabou hoje com o bipartidarismo do sistema de interesses na Alemanha ao alcançar um resultado histórico. Exactamente como o Chega fez em Portugal em 2024. O destino é, em breve, sermos governo nos nossos países! pic.twitter.com/qlIjwPu3zc

— André Ventura (@AndreCVentura) February 23, 2025

O primeiro-ministro português felicitou o líder dos conservadores alemães, Friedrich Merz, pela vitória do seu partido nas eleições legislativas alemãs e salientou os desafios comuns a Portugal e Alemanha na União Europeia, NATO e Nações Unidas.

“Parabéns Friedrich Merz pela vitória. Estou entusiasmado com a perspetiva de trabalharmos juntos no aprofundamento das relações bilaterais entre Portugal e a Alemanha”, escreveu Luís Montenegro na sua conta oficial na rede social X.

Na mesma mensagem, o primeiro-ministro português salienta ao futuro chanceler germânico “os desafios comuns” dos dois países “na União Europeia, na NATO e nas Nações Unidas”.

 

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