Eisenhüttenstadt, uma cidade alemã na fronteira com a Polónia, está a oferecer alojamento gratuito durante duas semanas para atrair novos residentes e contrariar o declínio populacional
Uma cidade no leste da Alemanha está a oferecer duas semanas de alojamento gratuito para encorajar pessoas a mudarem-se para lá e assim aumentar a sua população.
Eisenhüttenstadt, situada junto à fronteira com a Polónia, a cerca de 100 quilómetros da capital Berlim, está a disponibilizar uma estadia experimental de 14 dias para potenciais novos moradores, de acordo com um comunicado do conselho municipal datado de 13 de maio.
“O projeto destina-se a todos os que tenham interesse em mudar-se para Eisenhüttenstadt — como trabalhadores pendulares, antigos residentes que queiram regressar, profissionais qualificados ou trabalhadores independentes em busca de uma mudança de ares”, lê-se no comunicado, que indica que as candidaturas estão abertas até ao início de julho.
Os participantes selecionados terão direito a alojamento gratuito num apartamento mobilado, entre 6 e 20 de setembro, no âmbito de um “projeto de imigração inovador” intitulado “Make Plans Now”, explica o município.
Durante estas duas semanas, terão “a oportunidade de conhecer a vida, o trabalho e a comunidade de Eisenhüttenstadt — de forma gratuita e no coração da cidade”, acrescenta em comunicado.
Para ajudar os participantes a conhecer melhor a localidade, o município irá organizar diversas atividades, incluindo uma visita guiada à cidade, uma visita a uma fábrica e várias excursões.
O conselho municipal também irá incentivar os participantes a permanecer de forma definitiva, com empresas locais a oferecerem estágios, programas de acompanhamento de trabalho e oportunidades de entrevistas.
Fundada em 1950, Eisenhüttenstadt — que pode ser traduzida como “Cidade da Siderurgia” — foi a primeira cidade totalmente planeada pelo governo socialista da antiga Alemanha de Leste.
Erguida junto ao rio Oder, a cidade foi construída em torno de uma enorme siderurgia.
Anteriormente conhecida como Stalinstadt, ou “Cidade de Estaline”, em homenagem ao antigo líder soviético Joseph Stalin, a cidade foi renomeada depois da reunificação da Alemanha, na sequência da queda do Muro de Berlim em 1989.
Tal como muitas localidades na antiga Alemanha de Leste, Eisenhüttenstadt assistiu a um declínio populacional desde a reunificação, passando de mais de 50 mil habitantes para cerca de 24 mil atualmente, explica a responsável local Julia Basan ao órgão de comunicação RBB24, citada pela CNN internacional.
O objetivo da iniciativa é atrair novos residentes permanentes, especialmente profissionais qualificados, afirma Julia Basan.
Atualmente, Eisenhüttenstadt acolhe a maior siderurgia integrada da Alemanha de Leste, que emprega 2.500 pessoas, sendo também um polo importante para a transformação de metais.
Muitos dos edifícios construídos na era socialista estão classificados como monumentos históricos e a disposição aberta da cidade desperta o interesse de visitantes apaixonados por arquitetura.
Um recém-chegado afirma que foi precisamente a arquitetura que o convenceu a mudar-se para lá.
“Foi uma coincidência completa”, conta num vídeo publicado no Instagram da câmara municipal.
“Estávamos a caminho de Ratzdorf com amigos e passámos pela Karl-Marx-Straße. Vi estas casas, esta arquitetura que me deixou completamente fascinado e disse à minha mulher: ‘Vou mudar-me para aqui’”, explica.
O homem acabou por organizar uma visita guiada à cidade com um historiador local para saber mais.
“Depois da visita ficámos completamente impressionados com esta arquitetura, e isso foi mesmo o ponto de viragem”, diz.
