A economia da Alemanha, a maior da Europa, contraiu-se pelo segundo ano consecutivo, em 2024, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira, sublinhando os desafios que o país enfrenta enquanto tenta recuperar o crescimento económico.
O produto interno bruto da Alemanha caiu 0,2% no ano passado, de acordo com o Instituto Federal de Estatística alemão, após uma contração de 0,3% em 2023.
É a primeira vez desde o início da década de 2000, quando a Alemanha se debatia com uma elevada taxa de desemprego, que a economia regrediu durante dois anos consecutivos, de acordo com Carsten Brzeski, diretor mundial de macroeconomia do banco pan-europeu ING.
Os dados surgem apenas algumas semanas antes de umas eleições antecipadas cruciais, convocadas depois de a coligação governamental alemã se ter desmoronado no final do ano passado devido a divergências sobre a forma de apoiar a fraca economia do país.
“A esperança é que qualquer novo governo alemão decida sobre um plano de longo prazo para reformas económicas e investimentos”, escreveu Brzeski numa nota.
Os problemas enfrentados pela economia alemã devem-se em parte à crise no maior fabricante do país, a Volkswagen. Em dezembro, o fabricante de automóveis anunciou mudanças radicais nas operações nacionais, incluindo a redução de mais de 35.000 postos de trabalho e planos para transferir alguma produção para o México.
Tal como a Volkswagen, a Alemanha enfrenta custos laborais elevados, um fraco crescimento da produtividade e a concorrência da China. Também já não pode contar com a procura em alta das suas exportações na segunda maior economia do mundo, que está a produzir cada vez mais localmente muitos dos bens que costumava importar da Europa.
De acordo com Brzeski, a produção industrial alemã continua cerca de 10% abaixo dos níveis anteriores à pandemia. O possível aumento dos direitos aduaneiros por parte da nova administração dos EUA poderá agravar a situação devido ao potencial impacto nas exportações alemãs e “ao efeito nos investimentos alemães se as empresas transferirem a produção para os EUA”, antecipou.
O banco central da Alemanha afirmou no mês passado que a estagnação económica deverá continuar este ano, com o PIB a “só começar a recuperar lentamente ao longo de 2025”.
Os dados do PIB são um mau presságio para a economia europeia em geral, que tem lutado para crescer significativamente após a pandemia e também enfrentará potencialmente uma relação mais frágil com um dos seus maiores parceiros comerciais, os Estados Unidos.
Os dados do gabinete de estatísticas da União Europeia revelaram que a produção industrial na zona euro aumentou ligeiramente em novembro, em comparação com outubro. Ainda assim, continua 9% abaixo do nível de há sete anos, em parte devido aos preços da energia mantidos elevados pela invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo a Capital Economics.
“As pesquisas sugerem que a produção permanecerá moderada nos próximos meses”, escreveu numa nota o economista da consultora para a Europa, Adrian Prettejohn. “Além disso, os ventos contrários estruturais que o sector automóvel alemão enfrenta irão pesar sobre a produção industrial da zona euro durante algum tempo.”
