FIO DE JOGO || Os alemães estiveram quase a pô-la de lado. Ainda bem que não o fizeram
Este sábado trazemos-lhe uma camisola que muito dificilmente vai ser esquecida e que é imediatamente reconhecível e ligada a uma era específica do futebol mundial.
O Mundial de Itália, em 1990, é dos mais romantizados por adeptos e páginas que seguem o futebol, uma devoção alimentada pela estética da própria competição e pelas figuras que a disputaram.
O torneio sorriu à Alemanha Ocidental, que derrotou a Argentina na final com um penálti de Andreas Brehme a cinco minutos dos 90. Mas as performances alemãs não foram a única coisa que encheu o olho.
Nas vésperas do Euro 1988, a Adidas encarregou a sua designer Ina Franzman de desenhar o novo equipamento da seleção alemã. Até então, as camisolas da Mannschaft eram muito simples, a preto e branco, sem grande cor, perfeito para um país com dificuldades em manifestar o seu orgulho nacional. Mas para 1988, diz Franzman, as coisas iriam mudar.
Durante o processo houve muitas reuniões. “Estávamos a discutir de que forma é que iríamos começar. A funcionalidade era a parte mais importante, mas depois discutia-se a decoração. A intenção era fazer uma pequena revolução”, disse Franzman à BBC. Algumas das reuniões foram com Horst Dassler, o filho do fundador, Adi.
“Se bem me recordo, foi o próprio Horst Dassler que teve a ideia. ‘Porque não usar um bocadinho de cor?’, perguntou-me”.
Ina já tinha uma ideia do que iria ser a camisola. Queria linhas geométricas, não redondas ou orgânicas, e algo que simbolizasse a vitória.
Quando o design saiu, nem todos gostaram. “Não foi um design celebrado por toda a gente. Foi considerado demasiado arrojado, barulhento, visível. Tornou-se uma obra-prima depois, não no ano ou nos anos seguintes”, explica.
A federação alemã esteve quase a abandonar a camisola antes do Mundial de 1990, mas uma última intervenção de Franz Beckenbauer salvou o design de Ina, que viria a ser utilizado em Itália. “Nenhum dos designs alternativos era melhor que o do Euro 1988”, afirma.
Atualmente, a camisola é uma das mais colecionadas por amantes de futebol de todo o mundo. Foi também uma das primeiras produzida em massa para os adeptos.
Ina confessou ao canal britânico que se sentiu orgulhosa por ver a Alemanha vencer com a sua criação. “Quando vês um design que fizeste na rua ou em algum lado e, naquele caso, num jogo muito importante, olhas para a altura em que o fizeste como uma altura especial. Sentes-te comovido”, confessa.
