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Parque de vida selvagem no Reino Unido abate alcateia após lobos voltarem-se uns contra os outros

CNN , Amarachi Orie
27 mar, 21:42
Lobos no Wildwood Trust, perto da cidade de Canterbury, no sudeste de Inglaterra. Wildwood Trust/PA

Como os lobos vivem em estreita ligação com a sua alcateia, mantê-los isolados ou separados a longo prazo teria criado mais problemas de bem-estar, justifica o parque

Um parque de vida selvagem no sudeste de Inglaterra abateu uma alcateia de lobos depois de a dinâmica do grupo se ter deteriorado, levando a um conflito crescente.

A alcateia de cinco lobos foi abatida depois de três deles terem sofrido ferimentos com risco de vida no meio de uma escalada de violência, informou a Wildwood Trust num comunicado partilhado com a CNN esta sexta-feira.

Depois de outras intervenções não terem conseguido travar as lutas, e após discussões entre tratadores experientes e especialistas veterinários, o parque, localizado nos arredores da cidade de Canterbury, decidiu abater os lobos – chamados Odin, Nuna, Minimus, Tiberius e Maximus – para evitar mais sofrimento.

A Wildwood Trust cuida de lobos há mais de 25 anos. Wildwood Trust/PA

“Os nossos tratadores têm um enorme carinho por estes animais e fizeram tudo o que podiam para encontrar uma solução”, afirmou Paul Whitfield, diretor-geral da Wildwood Trust, no comunicado.

“Os lobos são animais altamente sociais que vivem em estruturas familiares complexas, e quando essas dinâmicas se quebram, o conflito e a rejeição podem aumentar. Neste caso, isso levou a preocupações contínuas com o bem-estar e a um risco inaceitável de ferimentos graves”, continuou.

“A eutanásia nunca é uma decisão tomada de ânimo leve, mas nos cuidados responsáveis com os animais pode, por vezes, ser a opção mais humana quando o bem-estar já não pode ser garantido”, acrescentou Whitfield.

“Esta decisão foi um último recurso absoluto, com o bem-estar dos animais como prioridade”, disse. “É incrivelmente difícil, mas foi, em última análise, a decisão certa para evitar mais sofrimento.”

Como os lobos vivem em estreita ligação com a sua alcateia, mantê-los isolados ou separados a longo prazo teria criado mais problemas de bem-estar, segundo o parque.

Colocar os lobos noutras alcateias também não era uma opção, uma vez que isso poderia ter levado a mais conflitos e ferimentos, ou à desagregação de outra alcateia, acrescentou.

"De coração partido"

Numa publicação no Instagram na quinta-feira, a equipa da fundação disse que fechou a reserva enquanto os animais eram abatidos e que os funcionários estavam todos “de coração partido”, acrescentando: “Muitos dos nossos funcionários cuidaram destes lobos durante um longo período de tempo, e esta perda será profundamente sentida.”

“Reconhecemos que esta notícia é profundamente perturbadora, e compreendemos porque muitas pessoas se sentem angustiadas”, disse a fundação à CNN num comunicado adicional.

“Esta decisão foi tomada com grande cuidado e apenas após uma extensa consulta com especialistas de referência em lobos de toda a Europa, profissionais veterinários experientes e uma revisão ética independente”, acrescentou.

A eutanásia é realizada em grupos de animais por uma variedade de razões.

No ano passado, autoridades australianas de vida selvagem abateram 90 baleias que ficaram encalhadas numa praia remota na Tasmânia, depois de o mar agitado ter tornado impossível devolvê-las à água.

Em julho, um zoo alemão matou 12 babuínos, apesar dos protestos, por não ter espaço suficiente para os albergar nem conseguir encontrar uma alternativa para os acolher.

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