Covid-19: diretor da Pfizer diz que vacinas podem ser necessárias uma vez por ano

2 dez 2021, 11:06

Albert Bourla falou à BBC sobre a Ómicron, os lucros da empresa ou a vacinação em crianças. E ainda teve tempo para deixar um recado aos negacionistas

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O diretor-executivo da Pfizer admitiu que pode vir a ser necessário que as vacinas contra a covid-19 venham a ser administradas anualmente nos próximos anos. Em entrevista à BBC, Albert Bourla defende a medida para que se mantenha um "alto nível de proteção".

"Não sei ao certo quanto tempo a terceira dose, a dose de reforço, dura. Estamos confiantes de que dura, pelo menos, 12 meses, mas não sabemos. Com base em tudo o que observámos até agora, diria que é provável que seja preciso uma vacinação anual para manter a robustez e uma proteção muito elevada", explica.

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O cientista falou numa altura em que a ameaça da variante Ómicron está a deixar muitas incertezas, não se sabendo para já qual o verdadeiro efeito nas vacinas disponíveis.

É precisamente a pensar nisso que a Pfizer já anunciou que está a desenvolver estudos com o objetivo de encontrar uma vacina eficaz contra a nova variante, caso venha a ser necessário. Inicialmente projetada para duas doses, a vacinação com a Pfizer alargou-se para três doses em alguns casos e países, à semelhança do que aconteceu com as outras farmacêuticas, que também viram a necessidade de implementar doses de reforço.

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A empresa norte-americana já adaptou anteriormente a sua vacina para as variantes Beta e Delta, mas acabou por não ser necessária a utilização dessa modificação.

Sobre a eventual vacina contra a Ómicron, Albert Bourla garante que pode estar pronta a ir para o mercado em 100 dias.

A vacina da Pfizer também será uma das utilizadas para inocular as crianças entre os cinco e os 11 anos, algo que o diretor-executivo da farmacêutica vê com bons olhos: "A covid-19 está a crescer nas escolas. Não existem dúvidas, na minha cabeça, de que os benefícios estão a favor [da vacinação em crianças]".

A questão do lucro e uma promessa para África

Desconhecida da generalidade da população, a farmacêutica Pfizer tornou-se numa das empresas mais faladas desde que a pandemia começou. Em parceria com a alemã BioNTech, foi a primeira a anunciar uma vacina contra a covid-19, elevando o valor da empresa para quase o dobro. Em abril de 2020, e de acordo com as informações da empresa, uma ação valia cerca de 30 dólares (cerca de 26 euros). Esta quarta-feira, 1 de dezembro, o preço unitário da ação fechou em cerca de 54 dólares (perto de 47 euros). Se é possível dizer que alguém saiu a ganhar com a pandemia, com certeza que a empresa estará nesse lote.

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A Pfizer já exportou cerca de três mil milhões de doses de vacinas para todo o mundo, número que espera ver subir para um total de sete mil milhões no próximo ano. Para o ano de 2021 estão previstos ganhos na ordem dos 35 mil milhões de dólares (cerca de 30 mil milhões de euros).

Se ao início a escassez de doses foi um problema, Albert Bourla garante que o mesmo não vai verificar-se em 2022, ano em que o cientista diz que os países "vão ter quantas doses quiserem", o que faz prever um aumento ainda maior dos lucros.

Mas isso não é algo que tire o sono ao norte-americano, que tem passado imune às críticas de ativistas. O cientista vê mesmo a questão do ponto de vista oposto, e é taxativo: "Salvámos à economia mundial biliões de dólares", afirma, acrescentando que o mais importante são as "milhões de vidas" salvas.

Falando abertamente do assunto, Albert Bourla diz que as vacinas da Pfizer "custaram o preço de uma refeição takeaway" aos países mais ricos e que foram vendidas ao preço de custo para os países mais pobres. Ainda assim, o veterinário de formação admite que tenha havido uma discriminação em relação à altura em que as vacinas foram exportadas, o que justifica com a reserva atempada feita pelos países mais ricos.

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Outro problema para a equidade da distribuição da vacina da Pfizer está relacionado com o armazenamento. Atualmente, o produto tem de ser mantido a uma temperatura de 70 graus Celsius negativos, algo que é muito mais complicado de fazer em países como os do continente africano. É nesse sentido que Albert Bourla revela que está a ser desenvolvido um sistema que vai permitir que as vacinas possam ser armazenadas num frigorífico durante três meses, o que faria uma "diferença enorme" nos país a sul do deserto do Saara.

Em Portugal foi da Pfizer a primeira vacina a ser administrada, ainda em 2020, depois de ter sido aprovada pela Agência Europeia do Medicamento a 27 de dezembro.

Uma palavra aos negacionistas

Se em Portugal o fenómeno negacionista nunca tomou proporções significativas, o mesmo não se pode dizer do resto do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a percentagem de população totalmente vacinada não chega aos 60%. Alemanha e Reino Unido estão um pouco melhores, mas ainda assim longe dos 85% que se julgou serem necessários para uma maior segurança na sociedade, uma meta que Portugal atingiu em meados de outubro.

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Para Albert Bourla os números não mentem: "Para os que têm medo, a única emoção mais forte que o medo é o amor. Utilizo sempre este argumento, não tomar a vacina não influencia apenas a nossa saúde, mas a de outros também, em particular aqueles que amamos mais, porque é com eles que interagimos".

O diretor-executivo da Pfizer afirma que as vacinas salvam vidas, e pede "coragem" para que se faça "a coisa certa", tomar a vacina.

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