Tinha 100 anos
Alan Greenspan, que liderou durante cinco mandatos a Reserva Federal dos Estados Unidos, o banco central mais poderoso do mundo, morreu aos 100 anos, poucos meses depois de celebrar o seu centenário.
A notícia foi confirmada pela sua mulher, Andrea Mitchell, com quem era casado há 29 anos. Em comunicado, citado pela NBC News, revelou que Greenspan morreu na manhã desta segunda-feira, em casa.
“O Alan faleceu em nossa casa esta manhã, aos 100 anos, devido a complicações da doença de Parkinson”, afirmou Andrea Mitchell.
Conhecido como "o Maestro", Greenspan assumiu a liderança da Reserva Federal em 1987, por nomeação do então presidente dos EUA, Ronald Reagan, mantendo-se no cargo até 2006. Durante quase duas décadas atravessou períodos de forte crescimento económico, mas também momentos de instabilidade financeira, protagonizando o segundo mandato mais longo de sempre à frente do banco central norte-americano.
Um dos momentos mais marcantes da sua carreira aconteceu em dezembro de 1996, quando utilizou a expressão "irrational exuberance" ("exuberância irracional") para alertar para uma possível sobrevalorização dos mercados financeiros.
As declarações provocaram uma queda imediata da bolsa de Tóquio e abalaram os mercados internacionais, embora a recuperação tenha sido rápida, mantendo-se a subida das bolsas até ao rebentar da bolha das empresas tecnológicas, em 2001.
Greenspan ficou igualmente conhecido pela forma enigmática como comunicava. Os seus discursos, recheados de frases longas e complexas, tornaram-se uma imagem de marca. A estratégia, admitiu mais tarde, era deliberada: recorria a uma linguagem propositadamente ambígua para evitar responder diretamente a perguntas sensíveis sem perturbar os mercados ou revelar antecipadamente as intenções da Reserva Federal.
Após abandonar o cargo, em 2007, explicou que preferia construir respostas cada vez mais difíceis de interpretar para que os interlocutores acreditassem que tinham obtido uma resposta, quando, na realidade, evitava pronunciar-se sobre temas que não queria comentar.
Essa combinação de influência, prudência e capacidade para moldar os mercados fez de Alan Greenspan uma das figuras mais marcantes da política monetária mundial. Morreu poucos meses depois de completar 100 anos.
