O relatório final deverá ser publicado ainda este ano
Um inquérito ao acidente do voo da Air India que se despenhou no mês passado em Ahmedabad, Índia, aponta para a possibilidade de o próprio comandante ter cortado o combustível dos motores. A revelação surge com base numa gravação da conversa entre os dois pilotos, divulgada pelo Wall Street Journal.
Na troca de palavras, o primeiro oficial questiona o comandante sobre os interruptores de combustível terem sido colocados em modo de corte, uma ação que o próprio comandante nega de imediato. As autoridades ainda não confirmaram quem tomou essa decisão, nem se houve erro humano intencional ou acidental, ainda que a conversa levante algumas suspeitas.
De acordo com o relatório preliminar do Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos da Índia (AAIB), os interruptores de combustível mudaram de funcionamento para corte com um segundo de diferença, logo após a descolagem, mas não diz como foram invertidos.
Os interruptores de combustível de ambos os motores voltaram a funcionar e o avião tentou automaticamente reiniciar os motores, segundo o relatório, mas, devido à baixa altitude e velocidade considerada lenta, já foi demasiado tarde.
O avião acabaria por embater em árvores e numa chaminé e acabou por colidir com um edifício, incendiando-se de imediato, provocando a morte de 19 pessoas em terra e 241 das 242 a bordo do 787.
Especialistas em aviação ouvidos pela agência Reuters afirmam que a sequência dos acontecimentos sugere fortemente uma ação humana nos interruptores de combustível. No entanto, os investigadores ainda analisam todos os fatores antes de tirarem conclusões definitivas. O relatório final deve ser publicado este ano.
Enquanto isso, a Air India declarou que não foram identificadas falhas mecânicas e que a manutenção da aeronave estava em dia. A Boeing e a GE, fabricante dos motores, não comentaram.
Tanto o comandante Sumeet Sabharwal, de 56 anos, como o copiloto Clive Kunder, 32 anos, tinham experiência de controlo aéreo. Sabharwal tinha mais de quinze mil horas de experiência e Kunder mais de três mil. Ambos tinham passado no teste de alcoolemia e não havia qualquer observação ao estado clínico, conforme referiu anteriormente o CEO da Air India.