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Filme falado em Português que levou aplauso de 10 minutos está na shortlist dos Óscares

17 dez 2024, 19:06
Fernanda Torres em "Ainda Estou Aqui" (DR)

Em contrapartida, o filme português "Grand Tour", de Miguel Gomes, ficou excluído da shortlist

Fernanda Montenegro fez história em 1999 ao tornar-se a primeira atriz brasileira a ser nomeada para um Óscar, pela sua interpretação em “Central Brasil”. Vinte e cinco anos depois, a sua filha, Fernanda Torres, está na rota dos prémios Hollywood. E o que é ainda mais curioso: Walter Salles, o realizador de “Central Brasil”, é o mesmo de “Ainda Estou Aqui”-

O filme, que se estreia em Portugal a 16 de janeiro, está entre os candidatos às nomeações para melhor filme Internacional, cuja shortlist foi anunciada esta terça-feira. "Grand Tour", de Miguel Gomes, ficou de fora (pode ver a lista na íntegra no fim deste artigo).

As nomeações finais para os Óscares são conhecidas a 17 de janeiro. Só nessa altura se sabe se "Ainda Estou Aqui" e a sua protagonista, Fernanda Torres, vão ou não seguir as pisadas de "Central Brasil".

Na estreia em Veneza, “Ainda Estou Aqui” foi aplaudido durante 10 minutos e ganhou o prémio para o melhor argumento. Entretanto, "I'm Still Here" (título em inglês) está nas listas de melhores filmes do ano de diversas publicações especializadas, tem duas nomeações para os Globos de Ouro - melhor filme em língua não inglesa e melhor atriz - e está ainda nomeado para o Critics' Choice Movie. 

Ambientado no Rio de Janeiro na década de 1970, “Ainda Estou Aqui” conta a história de Eunice Paiva e dos seus cinco filhos, cujas vidas são viradas do avesso quando o patriarca da família, Rubens Paiva, um ex-deputado interpretado por Selton Mello, desaparece às mãos do governo militar. Ao contar a história dessa família, o filme aborda um “pedaço da história brasileira” que tem sido esquecido, disse Walter Salles ao New York Times. “A história pessoal da família Paiva é a história coletiva de um país.”

As organizações de direitos humanos estimam que centenas de pessoas desapareceram e cerca de 20 mil foram torturadas durante a ditadura militar. Esse será um dos motivos por que "Ainda Estou Aqui" conquistou o público brasileiro. Desde que chegou às salas, no início de novembro, mais de 2,5 milhões de pessoas viram o filme e arrecadou mais de seis vezes o valor de bilheteira conseguido pelo filme brasileiro mais visto do ano. 

Fernanda Montenegro, atualmente com 95 anos, também entra no filme, fazendo a versão mais velha de Eunice Paiva. 

A atriz dispensa apresentações. Habituámo-nos a vê-la nas telenovelas - por exemplo, em “Baila Comigo” (1981), “Guerra dos Sexos” (1983), “Cambalacho” (1986) ou “O Dono do Mundo” (1991). Mas é também uma das grandes atrizes do teatro e do cinema brasileiros. Em “Central Brasil” interpretava Dora, uma professora reformada que trabalha na Estação Central Brasil, no Rio de Janeiro, a escrever cartas para os analfabetos. A conduta de Dora nem sempre é a melhor, muitas vezes fica com o dinheiro dos clientes e não envia as cartas. Mas, um dia, vê-se forçada a ajudar um menino a encontrar o pai, embarcando com ele numa viagem por um Brasil muito pobre.

O filme ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e esteve nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro, além de ter nomeações também para os Globos de Ouro, os BAFTA, os prémios César e outros. A atriz ganhou o Urso de Prata em Berlim mas perdeu o seu Óscar para Gwyneth Paltrow, em “A Paixão de Shakespeare”, numa categoria onde também competiam Cate Blanchett, Meryl Streep e Emily Watson. 

Quanto a Fernanda Torres, de 59 anos, os portugueses podem conhecê-la de trabalhos como a telenovela “Selva de Pedra” (1986), a série de humor “Os Normais” (2001) ou o espetáculo de teatro “A Casa dos Budas Ditosos”, a partir do texto de João Ubaldo Ribeiro (2003). Na cerimónia dos Óscares, marcada para a noite de 2 de março de 2025, a atriz não terá muitas hipóteses. Mas isso não lhe tira o sorriso: uma nomeação “seria uma grande vitória” por si só, disse ao NYT. “Seria uma história incrível se eu chegasse lá, seguindo minha mãe. Agora, ganhar - considero impossível.”

NOMEADOS PARA MELHOR FILME INTERNACIONAL

Brasil, “I’m Still Here”
Canadá, “Universal Language”
Chéquia, “Waves”
Dinamarca, “The Girl with the Needle”
França, “Emilia Pérez”
Alemanha, “The Seed of the Sacred Fig”
Islândia, “Touch”
Irlanda, “Kneecap”
Itália, “Vermiglio”
Letónia, “Flow”
Noruega, “Armand”
Palestina, “From Ground Zero”
Senegal, “Dahomey”
Tailândia, “How to Make Millions before Grandma Dies”
Reino Unido, “Santosh”

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