GUIA DE VERÃO || “Bebe água!”. “Hidrata-te!”. “Água é vida!”. Ouviu as vozes na sua cabeça? E você, quanto água já bebeu hoje? E de onde veio ela, sabe?
Beber água é essencial para a nossa sobrevivência. Tão essencial que há recomendações que devia estar a seguir aí em casa. É adulto? Então são entre 1,5 a três litros de água por dia. Ainda é criança? Vai em copos, que é mais fácil: quatro a 11.
Estas são as recomendações gerais. Porque a quantidade de água que cada um de nós devia estar a beber por dia varia segundo “fatores como a idade, o peso, a atividade física e as condições médicas”, realça Helga Mendonça, nutricionista no projeto Nutrição com Precisão.
Ou então com as fases concretas da vida que atravessamos, “como a gravidez ou o período de lactação, com o avançar da idade ou simplesmente devido a diferenças de temperatura”, completa Susana Teixeira, nutricionista no espaço António Gaspar.
Será que a água que bebemos faz toda o mesmo efeito? E o ph faz mesma a diferença?
Se veio a este artigo à procura do tipo de água mais adequado para uma vida saudável, fique a saber que “não existe uma resposta única”. Sejam águas minerais, de nascente ou da torneira, “desde que sejam potáveis e obedeçam aos critérios de qualidade”, diz Helga Mendonça, está à vontade para encher o copo.
Tanto a água de nascente como a água mineral têm origem subterrânea, distinguindo-se a última por ser rica em sais minerais, benéficos para a nossa saúde.
Mas talvez seja uma outra característica da água que lhe tem deixado a cabeça em água quando começa a olhar para os rótulos: o potencial do hidrogénio, também conhecido como ph, que “traduz a acidez ou basicidade da água”, aponta Susana Teixeira.
O ph é medido numa escala de zero a 14. Se for igual a sete, falamos de uma solução neutra. Se estiver abaixo de sete, trata-se de uma solução ácida. Acima dos sete, é uma solução alcalina.
“São atribuídos potenciais benefícios ao consumo de água com ph superior a sete, a uma água alcalina, onde se inclui a capacidade de regular o ph do sangue, bem como benefícios na prevenção de determinadas doenças. No entanto, não existe para já evidência científica suficiente que suporte estes argumentos”, revela Susana Teixeira.
Ainda não está convencido? Então aqui vai mais uma explicação: “mesmo que se conseguisse alterar temporariamente a acidez do estômago através do aumento do consumo de água alcalina, ou conseguíssemos aumentar ligeiramente o ph do sangue, os nossos rins entrariam logo em ação para equilibrar o ph sanguíneo, caso contrário poderia ser fatal”.
Mais do que o ph, o que importa na hora de avaliar uma água, diz a nutricionista, “é o teor de minerais”. E daí a dica: “vá alternando entre o consumo de água da rede pública e água engarrafada, pois desta forma consegue-se um maior equilíbrio em termos do aporte de minerais”.
Uma “boa água” é feita do quê?
Se anda à procura de beber a melhor água possível, talvez já tenha feito esta pergunta a si próprio: o que tem uma “boa água”? As nutricionistas, pelo menos, dão a mesma resposta: uma “boa água” distingue-se pelo que não tem, ou seja, deve ser “livre de contaminantes” que prejudicam a nossa saúde. Na lista incluem-se bactérias, vírus, pesticidas e metais pesados.
“Além disso, é importante que contenha uma quantidade adequada de minerais essenciais, como cálcio, magnésio e potássio, que desempenham papéis vitais no funcionamento do corpo humano”, aponta Helga Mendonça. Estes elementos, completa Susana Teixeira, podem “influenciar a nossa saúde”.
Pode ser da torneira?
Todos conhecemos alguém que se recusa a beber água da torneira, que prefere carregar garrafões e garrafões de água pelas escadas acima. O receio é de que a água vinda da rede pública não seja tão saudável e segura como aquela que é comprada nos supermercados. Se tem um amigo ou familiar assim, mande-lhe as explicações deste artigo.
“A água da torneira passa por um processo de tratamento para garantir sua segurança e potabilidade. Quando bem tratada, a água da torneira pode ser uma escolha tão saudável quanto a água mineral ou de nascente”, garante Helga Mendonça.
Já Susana Teixeira lembra que é possível verificar a qualidade da água por concelho, através das entidades reguladoras competentes. A água que chega às nossas torneiras vem de barragens e albufeiras, o que “leva à necessidade de tratamento para ser segura para o consumo humano”. Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), a percentagem de água segura em Portugal continental é de 98,88%.
A água da torneira faz as mesmas vezes da engarrafada. A diferença, dizem as nutricionistas, poderá estar, além da mineralização: daí o conselho para ir alternando o consumo com águas engarrafadas. E no sabor – “devido ao cloro, usado para desinfeção, ou ao material das tubagens”. Mas não se apoquente, que aqui também há solução: “este aspeto pode ser amenizado ao deixar a água repousar um pouco antes do seu consumo”.
O que faz a água no nosso corpo
Sabemos que a água é fundamental. Mas nem sempre percebermos o que acontece depois de o copo ficar vazio. A água previne a desidratação e contribui para regular a nossa temperatura corporal, é importante para o nosso desempenho físico e cognitivo, ajuda a controlar o apetite e a lubrificar as articulações, mantém a nossa pele saudável e facilita a eliminação de toxinas e resíduos.
Se tiver fadiga, confusão ou perda de memória a curto prazo ou mudanças de humor, ficando mais irritado ou depressivo, pode ser sinal de que está a ficar desidratado. A solução é simples: encher o copo e beber.
Caso contrário, fica mais propenso a infeções do trato urinário, pedras nos rins, cálculos biliares e prisão de ventre.
Se tem resistência a beber a água por si só, pode dar-lhe sabor com fruta ou ervas aromáticas – laranja e hortelã, por exemplo. Pode também obtê-la através de chás e infusões sem açúcar – aqui, fica só uma ressalva, para as quantidades de chá preto e verde, devido à cafeína.
Por fim, está também presente na sopa, nas frutas e vegetais.
