Vamos ter menos azeitonas (e peras e castanhas e maçãs e kiwis)

18 nov, 13:11
Chuva dos últimos dias não resolveu a seca, mas ajudou produções agrícolas de inverno

São consequências do calor recorde e da seca

As previsões agrícolas do INE apontam agora para “decréscimos de produtividade da azeitona (-40% face ao ano anterior), em resultado da escassa precipitação e das elevadas temperaturas”. No que diz respeito às fruteiras, o cenário é semelhante, com quebras de 45% na produção de pera, 30% na castanha, 20% na maçã, 15% na amêndoa e 5% no kiwi.

Em igual sentido, também a vindima de 2022 deverá registar quedas na ordem dos 15%. Por sua vez, as culturas arvenses, igualmente afetadas pela seca, devem registar decréscimos de produção na ordem dos 10% no milho para o grão de regadio e de 15% no arroz e no tomate para a indústria, acrescenta o INE.

Entre 1 de novembro de 2021 e 31 de outubro de 2022 foi registado o ano agrícola mais quente desde 1931. No período em questão, foi registada uma temperatura média de 16,4°C, em linha com os anos agrícolas de 1996/97 e 2016/17.

Por sua vez, o período em análise foi o terceiro menos chuvoso desde 1931, tendo caído uma precipitação correspondente a cerca de 65% da média dos últimos 25 anos (521,7mm).

Segundo os dados avançados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a precipitação média nos meses de setembro e outubro de 2022 representaram 36% da precipitação total do ano agrícola, quando em média representa 19%.

Fonte: IPMA (cálculos INE, I. P.)

Neste sentido, no final de outubro verificou-se também uma “diminuição significativa” da situação de seca, quer em extensão como em intensidade, ressalva o INE. Como tal, deixaram de existir áreas na classe de seca extrema, enquanto as zonas em seca severa deixaram de corresponder a 32,2% do território continental em setembro, para passar aos 9,7%.

Os territórios em seca severa circunscreveram-se à margem esquerda do Guadiana e à faixa raiana do sotavento algarvio, destaca o INE.

Os dados do gabinete estatístico indicam ainda que a diminuição dos níveis de água armazenada abrandou devido à precipitação significativa, à interrupção das regas e à diminuição de perdas por evaporação. No entanto, o nível de armazenamento das principais albufeiras (52,6% em outubro) continua inferior aos níveis observados durante a seca de 2005 (56,1%)

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