Moody's mantém perspetiva "estável" para o sistema bancário português

Agência Lusa , CE
27 abr, 11:42
Dinheiro

Segundo a nota da agência de notação financeira, apesar das "piores condições operacionais" que resultam da guerra na Ucrânia, o sistema bancário português deverá manter-se resiliente

A agência de notação financeira Moody’s mantém uma perspetiva “estável” para o sistema bancário português que, apesar das “piores condições operacionais” resultantes da guerra na Ucrânia, deverá manter-se resiliente, com rácios de capital “estáveis” e melhorias de liquidez.

“As perspetivas para o sistema bancário português mantêm-se estáveis. Tal como a maior parte dos sistemas bancários europeus, o setor enfrentará piores condições operacionais, em resultado do conflito militar na Ucrânia, mas o crescimento económico em Portugal será mais forte do que na maioria dos grandes países europeus, beneficiando as finanças dos devedores privados, que estão sob pressão da alta inflação e da retirada dos estímulos relacionados com o coronavírus”, lê-se numa nota de análise divulgada hoje pela Moody’s.

Apontando a “resiliência” dos bancos portugueses, a agência de ‘rating’ antecipa um “aumento moderado do crédito mal parado”, mas considera que “as provisões consideráveis acumuladas em 2020 e 2021 permitirão aos bancos absorver as perdas”.

“Os rácios de capital vão manter-se estáveis, embora continuem fracos em comparação com os pares europeus. A base de depósitos resiliente e em crescimento e o considerável ‘stock’ de ativos líquidos vão sustentar uma melhoria dos perfis de liquidez e de financiamento dos bancos”, sustenta.

Segundo nota a Moody’s, “o conflito militar na Ucrânia enfraqueceu as perspetivas económicas, devido aos preços da energia significativamente mais altos e ao agravamento das restrições existentes na cadeia de abastecimento”.

“No entanto, o PIB (Produto Interno Bruto) real de Portugal vai crescer 4,5% em 2022 e 2,0% em 2023, superando outras grandes economias europeias, após a contração de 8,4% provocada pelo coronavírus em 2020 e o crescimento de 5,3% em 2021”, salienta.

Acentuando que “a recuperação económica de Portugal tem sido acompanhada por um bom desempenho do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego no final de 2021 a situar-se já em níveis pré-pandemia”, a agência de notação considera que este facto, “associado à libertação gradual da poupança acumulada durante a pandemia, apoiará as finanças dos devedores do setor privado, à medida que o Governo gradualmente retira os estímulos relacionados com o coronavírus”.

Adicionalmente, refere, “Portugal enfrenta um risco limitado de interrupções no fornecimento de energia, dada a sua reduzida dependência do petróleo e gás russos, e o PIB do país voltará aos níveis pré-pandemia em 2022”.

“Esperamos que os bancos portugueses beneficiem de um aumento dos pedidos de crédito por parte das famílias, que já começou a subir em 2021 após vários anos de declínio”, antecipa. Já a procura de crédito por parte das empresas “será mais limitada, pois alguns dos empréstimos garantidos pelo Estado concedidos em 2020, que têm vencimentos longos, continuam por utilizar”, acrescenta.

No que se refere à qualidade dos ativos dos bancos, a Moody’s prevê que “beneficiem da recuperação económica” e antecipa que o setor enfrente “pressões moderadas” a este nível, devido ao aumento taxas de juros e à inflação alta, que atingiu uma taxa anual de 5,3% em março de 2022 e “pressionará setores já muito atingidos pela pandemia, como a hotelaria, lazer e transportes”.

“No entanto, esperamos que os créditos problemáticos aumentem apenas moderadamente, pois a melhoria da atividade económica irá compensar parte da pressão sobre a capacidade de reembolso dos devedores. Para além disso, não prevemos um aumento dos custos de crédito dos bancos, porque as substanciais provisões que o setor criou em 2020 e 2021 permitirão que os bancos absorvam perdas”.

A agência de notação financeira antecipa ainda “poucas alterações” nos níveis de capital dos bancos portugueses, considerando “improvável um crescimento significativo dos ativos ponderados pelo risco, em linha com o fraco crescimento do crédito, especialmente no segmento empresarial”.

Paralelamente, “a capacidade de geração de capital dos bancos irá melhorar, mas continuará limitada”, assim como a rentabilidade.

“Continuamos a assumir uma probabilidade moderada de apoio público aos dois maiores bancos portugueses (CGD e BCP). A introdução diretiva europeia de resolução e recuperação bancária, destinada a proteger os contribuintes dos custos das insolvências na banca, limita a capacidade do Governo de auxiliar o setor, embora permita um apoio extraordinário para preservar a estabilidade financeira em caso de graves perturbação”, remata.

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