Fenómeno avistado nos céus de Trás-os-Montes já tem explicação: lixo espacial

24 jan, 21:21

Presidente da Agência Espacial Portuguesa explica que um satélite desintegrou-se ao entrar na atmosfera terrestre. Não é um problema, é uma solução

Um feixe de luz a rasgar os céus de Trás-os-Montes fez virar muitas cabeças na noite deste domingo. As imagens foram partilhadas por um site de meteorologia nas redes sociais, mas, ao contrário do objeto, a dúvida ficou no ar: o que provocou este fenómeno? 

Não, não era era um meteoro. Segundo Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, explicou à CNN Portugal, o fenómeno foi provocado por lixo espacial. E este, em específico, tem um nome: Starlink-2200.

Trata-se de um satélite da agência espacial privada SpaceX, lançado em 2019, detalha Ricardo Conde. O objeto faz parte da constelação de satélites Starlink, lançada para o espaço para fornecer serviços de Internet.

Este fenómeno espacial não foi aliás “um caso isolado”, já que outros dois satélites se desintegraram a vários milhares de quilómetros, por cima do mar Arábico e do mar da Coreia.

“Tudo isto é algo que vamos ver com muita frequência, porque cada vez mais há uma nova corrida ao espaço, à procura de novos serviços, e porque estão a ser lançadas para o espaço várias constelações com milhares de satélites. Estes [fenómenos avistados] foram reentradas na atmosfera de satélites da Space X”, concretizou o especialista.

Os satélites da rede Starlink da Space X orbitam a cerca de 500 a 550 quilómetros de altitude e percorrem uma volta à Terra em menos de 80 minutos.

Isto são boas notícias

Ainda que este "pequeno lixo espacial" não represente perigo para a Terra, representa-o “para o Espaço em si”, nomeadamente para os astronautas, para a Estação Espacial Internacional, mas também para os equipamentos a orbitar a Terra. 

“Só em 2020, a Estação Espacial Internacional teve de fazer três manobras para se desviar de lixo espacial que sabia que ia passar perto”, exemplificou o investigador Nuno Peixinho, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), à agência Lusa. 

Nuno Peixinho afirma ainda que o lixo espacial é um dos “desafios” que a astrofísica enfrenta, lembrando que vários países, como é o caso de Portugal, estão a investir e fazer “um esforço” cada vez maior para o detetar.

Aliás, reentradas como a de domingo são planeadas precisamente para combater os perigos desse lixo espacial: “Está tudo programado para que estes satélites se vaporizem na reentrada, ou seja, não chega nada ao chão", assegura.

“Há uma geração de satélites lançada em 2019, de que alguns estão a reentrar na atmosfera. Estas reentradas são testes e são propositadas. Eu diria mesmo que são controladas. O que se está a fazer é tentar a reentrada de satélites na atmosfera para não continuarmos a aumentar o lixo espacial”, vincou também Ricardo Conde.

"Foi uma atitude responsável", aponta o especialista.

Ricardo Conde explica ainda que, quando o satélite começa a entrar numa órbita mais baixa, a cerca de 200 quilómetros, atinge uma velocidade “muitíssimo grande”, havendo um atrito atmosférico que faz com ele se incendeie e desintegre.

“Tudo isto são boa noticias porque se está a retirar lixo do espaço “, vincou.

 

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