Atleta de 25 anos, do Benfica, conquistou este domingo o ouro no salto em comprimento. Desde Naide Gomes que Portugal não subia ao lugar mais alto do pódio
Natural de São Tomé e Príncipe, Agate Sousa nasceu a 5 de junho de 2000: precisamente o mesmo dia do Maisfutebol. A atleta de 25 anos cresceu em São Tomé e só com 19 anos se mudou para Portugal.
«Quando cheguei a Portugal eu queria fazer desporto mas também queria estudar. A minha mãe é gestora, o meu pai economista, foi por isso que escolhi Economia. Só ao longo do tempo eu e o meu treinador fomos percebendo que podíamos fazer do atletismo uma carreira», revelou, em entrevista à rádio TSF.
Os primeiros tempos em Portugal não foram fáceis, porém. A naturalização demorou cinco anos a sair e Agate Sousa saltou durante muito tempo como atleta estrangeira.
Em 2021, por exemplo, foi impedida de competir no estrangeiro, pois sendo estrangeira estaria proibida de voltar a Portugal devido às medidas de confinamento provocadas pela covid-19.
Foi nesse período, já em Portugal, que Agate Sousa estabeleceu a melhor marca da carreira, ao saltar 7,03 metros: um salto que ainda é recorde nacional de São Tomé.
Nessa altura, já estava claro que era no salto em comprimento que a atleta sãotomense ia fazer carreira. Ela que começou a competir na velocidade, tendo tentado também o lançamento do peso.
«Eu cheguei ao atletismo com um nulo no lançamento do peso e, agora, sou campeã do mundo do salto em comprimento», recordou Agate Sousa, na Polónia, após conquistar a medalha de ouro.
A nacionalidade portuguesa saiu finalmente em 2024 e a partir daí a carreira da atleta deu um salto. Logo na estreia como portuguesa, arrecadou uma medalha de bronze, nos Europeus de Roma, em 2025. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio acabou por não ir além da sexta posição, mas as promessas estavam feitas.
Já esta temporada, no regresso ao Benfica e sob orientação do treinador Mário Aníbal, Agate Sousa voltou a saltar para grandes resultados, ela que nunca deixou o curso de Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão, de Lisboa (ISEG).
Na mente da atleta está seguir as pisadas de Naide Gomes, que também nasceu em São Tomé e também se naturalizou portuguesa, para ser campeã do mundo e estabelecer o recorde nacional, que se mantém até hoje.
«A Naide Gomes é uma referência desde que nasci, desde que comecei no atletismo e antes mesmo de sonhar ir para Portugal. Ela também veio de São Tomé, chegou a lugares onde eu quero chegar também», revelou.
«A própria Naide já disse que eu posso um dia lá chegar.»
Para começar, o título mundial não parece nada mal. Agora o próximo objetivo é bater o recorde nacional, fixado nos 7,12 metros. Aos 25 anos, todos os sonhos são possíveis.
