O corredor português falou esta quinta-feira à imprensa sobre a aventura de rosa, que não estava nos planos originais. Pelo meio, houve lugar a conversas com Jonas Vingegaard e muitas, muitas entrevistas
Terminou no passado domingo mais um Giro d’Italia de enorme sucesso para Portugal e o grande responsável foi Afonso Eulálio. Após alguns dias de descompressão, o ciclista da Bahrain-Victorious falou com a imprensa acerca da aventura que foi vestir a camisola rosa, ganhar a classificação de melhor jovem e terminar na sexta posição da geral, a terceira melhor classificação de um português na prova.
“Quando começou o Giro eu ia apenas como gregário para apoiar o Santiago [Buitrago]. Depois eu ia ter as minhas oportunidades mais para a frente. Talvez lutar por uma etapa, duas, tentar fazer o meu melhor”, explicou o corredor da Figueira da Foz. Contudo, a desistência precoce do colombiano, que caiu na segunda etapa, forçou uma alteração de planos dentro da equipa. A quinta etapa, entre Praia a Mare e Potenza, já estava, porém, assinalada por Eulálio.
“Era uma etapa que bastante à minha imagem. Analisámos tudo ao pormenor, a chegada, o início, analisámos a etapa toda e acabámos por ficar muito focados nessa etapa. Fiz o all in nesse dia. As coisas correram quase de forma perfeita para nós, só faltou mesmo a vitória”.
A fuga desse dia permitiu a Afonso Eulálio assumir a Maglia Rosa com mais de seis minutos de vantagem para os candidatos à vitória final. O plano alterou-se novamente.
“Já tínhamos falado em tentar correr para a geral, mas nunca pensámos fazê-lo de verdade. Foi sempre um pouco na brincadeira”, confessou o melhor jovem da corrida transalpina. “Como tínhamos perdido o nosso líder, acabei por falar com os diretores e decidimos ir correr para a geral e tentar. Se as coisas não corressem bem, não corriam. Mas se corressem bem, corriam. E mesmo que não corressem bem, acabava por não perder nada e ganhar experiência”.
A expectativa em torno da capacidade de Afonso Eulálio para manter a liderança era enorme. Primeiro, o objetivo era não a perder dois dias depois, na chegada ao Blockhaus. Depois passou a ser no contrarrelógio, ao décimo dia. Mas Afonso aguentou. Acabou por perdê-la apenas à 14.ª etapa. A aventura de rosa durou nove dias e tirou-lhe algum descanso.
“Eu prefiro estar no pódio do que não estar. Prefiro estar lá todos os dias, com a camisola rosa, com a camisola branca. Mas claro que no final de uma grande volta faz muita diferença. Todos os dias tinha de ir ao pódio. Todos os dias tinha controlo [antidoping]. Todos os dias tinha centenas de entrevistas (…) Quando chegava ao hotel, tinha a massagem e a fisioterapia, mas, quando ia jantar, ia jantar sozinho ou com o nutricionista ou algum colega que ficasse à minha espera. Os outros já estavam a descansar. Acabava por chegar bastante tarde e não tinha o mesmo tempo de recuperação”.
A liderança trouxe-lhe também a oportunidade de trocar umas palavras com Jonas Vingegaard, o vencedor da corrida e um dos melhores de todos os tempos, antes do início de cada etapa.
“[O Jonas] é uma pessoa bastante simples. Falávamos coisas normais sobre a corrida e os nossos planos para o futuro. (…) Estava na luta com o [Davide] Piganzoli pela camisola branca e às vezes, na brincadeira, dizia para o pôr a puxar no início da etapa, para me ajudar. Mas acima de tudo tentávamos estar relaxados”.
O futuro ainda não está totalmente definido. Afonso Eulálio diz que espera correr o Tour de France para o ano e, em 2028, fazer Giro e Vuelta. Para já, vai descansar, antes de participar na Volta à Suíça, onde estará a apoiar os colegas Antonio Tiberi e Lenny Martinez, e fazer o campeonato nacional de contrarrelógio.
