Quiosques digitais do novo Sistema de Entrada e Saída no Espaço Schengen registam avarias e atrasos
Dezenas de passageiros perderam os seus voos em Faro e Lisboa devido à tentativa, falhada, de implementar a 100% o novo Sistema de Entrada e Saída (SEE) no Espaço Schengen. Na manhã deste sábado, em Lisboa, as filas para sair de Portugal chegavam ao Duty Free. Na sexta-feira, em Faro, pelo menos 40 passageiros foram deixados em terra devido a atrasos no controlo de fronteiras.
Por imposição da União Europeia, todos os passageiros, sem exceção, deveriam, a partir de ontem, começar a ser controlados duas vezes, à entrada e à saída do Espaço Schengen, que abrange a Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Para além das tradicionais “boxes” de controlo de passaportes, teriam de passar antes por quiosques digitais, onde são fotografados, deixam a impressão digital e fazem um registo biográfico.
Alguns países resistiram à implementação a 100%, mas o governo português decidiu que a regra deveria mesmo ser cumprida. Para evitar problemas ainda maiores, os agentes da PSP ao serviço Sistema de Segurança Interna (SSI), organismo na dependência do primeiro-ministro, decidiram, nalguns picos, suspender a biometria.
A Comissão Europeia anunciou que os quiosques SSK demorariam 70 segundos por passageiro, mas isso não se verifica. Os aeroportos de Faro e de Lisboa estão, nalguns picos de voos exteriores ao Espaço Schengen, a registar filas superiores a uma hora para o controlo de passageiros, com danos para a imagem de Portugal.
Aeroportos e companhias aéreas pedem clemência
As principais associações europeias de aeroportos e companhias aéreas estão a pedir mais flexibilidade na aplicação do novo Sistema de Entrada e Saída.
“Já é evidente que é necessária maior flexibilidade com carácter imediato”, afirma Olivier Jankovec, diretor-geral do Airports Council International (ACI), a associação que representa os aeroportos europeus. A ACI pede que as autoridades de controlo de fronteiras tenham poderes para suspender o SEE sempre que os tempos de espera se tornem excessivos, para evitar o colapso operacional.
As companhias aéreas lançam o mesmo alerta. “O nosso apoio ao sistema e aos seus objetivos é inabalável. No entanto, o reforço da gestão das fronteiras não deve ser feito à custa da eficiência operacional nem da experiência dos passageiros”, declara Ourania Georgoutsakou, diretora-geral da Airlines for Europe, a principal associação europeia do setor.
As duas organizações avisam que a situação pode agravar-se nas próximas semanas e ao longo do verão, numa altura de maior pressão sobre os aeroportos. Em comunicado conjunto, deixam um recado político: “Está em causa a reputação da Europa como destino turístico e de negócios acessível e funcional”.
Vários países já suspenderam sistema
Na sequência dos atrasos verificados, Bélgica, França e Países Baixos decidiram já suspender a aplicação do SEE. Em Portugal, à falta de decisão governamental, SSI e PSP, quando não lhes resta outra solução, rendem-se às evidências: suspendem a biometria nos períodos em que a procura de passageiros é muito superior à capacidade instalada.
A recolha de dados biométricos nas partidas esteve suspensa esta manhã nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Fonte oficial da PSP garantiu à CNN Portugal que, ultrapassado o horário de maior crise, esse controlo foi, entretanto, retomado.
A PSP garante que o controlo de passaportes foi sempre garantido, mesmo nos períodos de suspensão dos quiosques digitais. Para além disso, esta polícia está a operar nos aeroportos na sua máxima capacidade, com recursos humanos suficientes para garantir o funcionamento de todas as “boxes” de fronteira.