Em Macau, o secretário de Estado das Infraestruturas Hugo Espírito Santo, defendeu que ter um aeroporto no Montijo era “por um erro sobre um erro”, uma vez que a passagem de aviões em Lisboa já coloca em risco diariamente 400 mil pessoas. O Montijo seria, diz, juntar 200 mil a essa equação.
O secretário de Estado das Infraestruturas admitiu que as filas de espera no aeroporto de Lisboa são “um embaraço para o Governo” e prometeu “redesenhar toda a zona de partidas e chegadas” até junho de 2026, com um reforço dos canais de passagem.
“A situação das fronteiras é um embaraço para o Governo. Não tem outro nome. Neste momento é um embaraço. E a única coisa que se podia fazer era pedir desculpa”, afirmou Hugo Espírito Santo, em Macau, durante o 50º congresso da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT).
Declarações que tiveram lugar depois de o presidente da ANA Aeroporto, José Luís Arnaut, reconhecer que há um “problema seríssimo” nas fronteiras, mas que “não está” nas mãos da gestora aeroportuária, mas sim do Governo, devido à falta de agentes para o controlo.
Hugo Espírito Santo explicou que existem cinco governantes a acompanhar “diariamente” este problema dos fluxos no aeroporto. Estando “as causas de raiz todas identificadas”, “vamos redesenhar toda a zona das partidas e chegadas” com o reforço de canais de passagem.
Aeroporto mais rápido no Montijo é “falácia”
Ao longo deste congresso em Macau, o setor do turismo tem recordado que a opção do novo aeroporto no Montijo teria sido mais rápida do que o processo em Alcochete. O Governo considera que é uma “falácia”.
“Acho que temos de acabar com a falácia do Montijo. O atual aeroporto é um erro, do ponto de vista daquilo que é a indústria hoje. Estamos a correr um risco e temos de ter esta noção. Em 2025 caíram dois aviões: um em Washington, outro na Índia. Ter um aeroporto em que cada aeronave sobrevoa 400 mil habitantes é um erro, um risco. Fazermos um segundo aeroporto complementar, que ia voar sobre 200 mil habitantes, era por um erro sobre um erro”, atirou.
O governante reiterou o prazo do novo aeroporto em Alcochete para 2035, garantindo que as infraestruturas de apoio, como a nova ponte sobre o Tejo estarão prontas a tempo.
Nesta matéria, o executivo prevê lançar o concurso em 2027, “o que significa que a ponte está pronta em 2032, 2033. Não é de certeza a terceira travessia sobre o tema que irá criar um obstáculo a esse tema”, afirmou.
“A TAP tem de estar com os grandes”
Na conversa em Macau houve ainda espaço para a privatização da TAP. Hugo Espírito Santo admitiu que a companhia aérea “está limitada porque o seu hub [em Lisboa] está limitado”, sendo por isso agora importante “crescer no Porto”.
“A TAP tem de estar com os grandes, tem de estar num grupo com mais de 5 mil milhões de receitas”, defendeu.
Segundo o secretário de Estado das Infraestuturas, o objetivo é ter uma “primeira decisão” em julho do próximo ano.
*o jornalista viajou para Macau a convite da APAVT