Existem sociedades de advogados ligadas à Comunidade Israelita do Porto a fazer dinheiro com sefarditas

22 jul, 08:20
Judeus sefarditas (GettyImages)

REVISTA DE IMPRENSA.Um deles já foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária

Existem sociedades de advogados ligadas à Comunidade Israelita do Porto (CIP) que estão a fazer dinheiro com sefarditas no âmbito dos processos de naturalização portuguesa. De acordo com o jornal Público, Mónica João Teixeira (MJT) e Yolanda Busse, Oehen Mendes & Associados (YBOM&A) foram os dois escritórios de advogados indicados pela CIP para tratarem de processos de nacionalidade de descendentes de judeus sefarditas.

A MJT foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária (PJ), a 15 de julho, no âmbito de investigação à naturalização do oligarca russo Roman Abramovich, mas também por processos de certificação de judeus sefarditas conduzidos pela CIP. 

Ao contrário da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL), que recomenda uma lista alargada de escritórios de advogados e não indica nenhum em particular por questões éticas, a CIP trabalha preferencialmente com a MJT e a YBOM&A. O Público teve acesso a vários emails enviados pela entidade judaica portuense que comprovam isso mesmo.

"Uma vez que o requerente tenha recebido um certificado da Comunidade Judaica do Porto atestando os seus laços com uma comunidade sefardita judaica de origem portuguesa, é prudente que procure aconselhamento jurídico na preparação e apresentação ao Governo português dos documentos necessários para a candidatura à nacionalidade portuguesa. (...) Existem 30.000 advogados em Portugal e muitos outros advogados no seu país", refere de seguida, antes de indicar duas opções: "Advogados que normalmente trabalham para a Comunidade Judaica do Porto: Sra. Monica Teixeira (monica@mjt.com.pt) e ‘Yolanda Busse, Oehen Mendes & Associados’ (http://www.ybom.eu/)."

Em resposta a perguntas enviadas por escrito ao jornal a 10 de Fevereiro, Francisco de Almeida Garrett - membro da direção da Comunidade Israelita do Porto e parente de Isabel de Almeida Garrett que é advogada e colaboradora da MJT - confirmou que a CIP recorre, "há uma década", aos referidos escritórios, "quando algum membro estrangeiro precisa regularizar a sua situação em Portugal". 

Em relação ligação que tem com a advogada Isabel de Almeida Garrett, admitiu que "é uma familiar", com a qual não mantém qualquer contacto profissional. "Desconheço que faça direito de estrangeiros", garantiu, acrescentando ainda nunca ter tramitado "um único processo de nacionalidade" ao longo da sua carreira [de advogado] e não ter "qualquer relação profissional com quaisquer advogados que o façam". 

Recorde-se que Francisco de Almeida Garrett foi constituído arguido pela PJ em março deste ano.

Crime e Justiça

Mais Crime e Justiça

Patrocinados