REVISTA DE IMPRENSA | Depois de seis anos à frente da ADSE, Maria Manuela Faria considera que deixa a instituição numa situação mais estável do que aquela que encontrou, na última entrevista que deu no cargo
A ex-presidente da ADSE, Maria Manuela Faria, reconheceu, em entrevista ao Jornal Público, que os cerca de 117 milhões de euros faturados em excesso pelos hospitais privados desde 2015 ainda não foram devolvidos ao subsistema de saúde dos funcionários públicos. Ainda assim, garantiu que têm sido feitos progressos na recuperação destes montantes e assegurou que o tema nunca deixou de estar na agenda da administração.
Na última entrevista antes de deixar o cargo, após concluir o mandato iniciado durante o governo de António Costa, a responsável admitiu que o processo continua em curso, mas sublinhou tratar-se de uma questão particularmente sensível.
“A única coisa que posso dizer é que têm sido dados passos importantes nesse sentido. O conselho diretivo nunca deixou de olhar para esse problema, mas sempre com a noção de que é muito sensível e que têm de se dar passos pequeninos, mas consistentes”, referiu.
Segundo Maria Manuela Faria, o problema tem vindo a perder dimensão graças às medidas adotadas para combater irregularidades na faturação. A dirigente destaca sobretudo o alargamento do modelo de cirurgias com preço fechado, bem como as alterações introduzidas na comparticipação de medicamentos e próteses operatórias. Atualmente, refere, “restam algumas cirurgias de código aberto, em que os consumos podem ser faturados à linha, mas já são poucas”.
Fazendo um balanço dos seis anos à frente da ADSE, Maria Manuela Faria considera que deixa a instituição numa situação mais estável do que aquela que encontrou. “Modestamente, sim. Acho que pacifiquei muito a ADSE na relação externa e na relação interna”, respondeu quando questionada sobre o legado da sua gestão, em entrevista ao Público.
