Mais de metade dos jovens portugueses admite fazer sexo sem proteção

28 abr, 10:02
Preservativos

Estudo mostra que, atualmente, 55% dos adolescentes que estão numa relação admitem não usar sempre preservativo. Para evitarem uma gravidez, 59,1% dos jovens dizem usar a pílula e 24,2% interrompem o coito, deixando para segundo plano as doenças sexualmente transmissíveis

Se em 2008 mais de 90% dos jovens utilizaram preservativo na sua primeira relação sexual, para evitar uma gravidez indesejada, esse número caiu para os 88% no ano passado. Os dados são de um estudo - "Jovens e Educação Sexual: Conhecimentos, Fontes, Recursos" - do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que vai ser apresentado esta quinta-feira em Lisboa, mas ao qual o Jornal de Notícias (JN) teve acesso. 

Em 2008, 97% dos rapazes inquiridos disseram ter usado preservativo, mas em 2021 o número diminuiu para 88,4%. De acordo com os investigadores, ouvidos pelo JN, há 13 anos havia mais informação e conhecimento sobre a sida. 

"Há um menor conhecimento da sexualidade face a 2008", disse Maria Manuel Vieira, uma das coordenadoras do estudo, acrescentando ainda que "nesse ano, havia um foco muito acentuado nas questões da sida. Essa poderá ser uma das razões para que os jovens estivessem mais alerta para as doenças sexualmente transmissíveis"

Este estudo mostra ainda que, mesmo atualmente, 55% dos adolescentes que estão numa relação admitem não usar sempre preservativo. Para evitarem uma gravidez, 59,1% dos jovens dizem usar a pílula e 24,2% interrompem o coito, deixando para segundo plano as doenças sexualmente transmissíveis. 

Ainda que o uso do preservativo tenha diminuído nos últimos 13 anos, não deixa de ser o meio contracetivo mais usado no primeiro contacto sexual. De acordo com Duarte Vilar, outro dos coordenadores deste trabalho, cerca de 27% dos jovens têm um "conhecimento mau" sobre os vários contracetivos, mas também sobre as doenças sexualmente transmissíveis. O investigador relembra, no entanto, que a pandemia pode ter dificultado a compra de preservativos e que isso pode ter levado a uma menor utilização.

Tanto em 2008 como em 2021, as raparigas foram sempre as que revelaram mais conhecimento sobre a sexualidade. Quase 31% das jovens têm um "conhecimento muito bom", disse Maria Manuel Vieira. Olhando para os rapazes, esse número fica-se pelos 17,5%. No entanto, são as que ficam mais nervosas na primeira experiência sexual. 

O estudo foi realizado, como já foi referido, pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa em conjunto com a Associação para o Planeamento da Família e o Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Investigação Social. Contou com uma amostra de 2319 respostas e um inquérito online realizado em 43 escolas.

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