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Trump apresenta "todos os sinais de demência"

Sáb, 11 abr 2026
Donald Trump (AP)

A semana começou com um ultimato, mais um - todos nós sabemos de quem. Todas as pontes e centrais elétricas iranianas iriam ser destruídas caso não houvesse um cessar-fogo até às 20:00 de terça-feira, hora de Washington DC.

A ameaça escalou gravemente, quando Donald Trump disse que “toda uma civilização irá desaparecer, para nunca mais voltar”, se o Irão não fizesse o que os EUA exigiam. A menos de meia hora do prazo limite dado pelo presidente norte-americano, uma nova reviravolta: após conversas com o primeiro-ministro do Paquistão, Trump decidiu parar os ataques ao Irão durante duas semanas. Israel e Irão, este último após uma intervenção de última hora da China, concordaram com o cessar-fogo.

Foi um alívio. Os mercados reagiram positivamente e o preço do petróleo caiu a pique. Mas cedo começaram os problemas. Israel intensificou os ataques ao Líbano, matando mais de 300 pessoas, para desagrado de Teerão, que alegava, à semelhança do Paquistão, que o vizinho norte de Israel estava abrangido pela pausa. Fontes diplomáticas afirmaram à CBS News que os EUA e Israel concordaram com os termos ditados inicialmente por Islamabad, que incluíam o Líbano no cessar-fogo, mas que a posição de Donald Trump mudou após uma chamada telefónica com Benjamin Netanyahu.

A reabertura do Estreito de Ormuz, que tinha ficado estabelecida nos termos do cessar-fogo, foi de pouca dura, com o Irão a deixar passar apenas 15 navios por dia.

Ainda assim, por pressão americana, Netanyahu deu esta quinta-feira instruções para que se iniciassem negociações diretas com o Líbano “assim que possível”, tendo como um dos pontos principais o desarmamento do Hezbollah. As negociações vão começar para a semana em Washington, DC. Os ataques, porém, não param.

Líbano (AP Photo/Emilio Morenatti)

Também na mesa das negociações, mas em Islamabad, estão já neste sábado EUA e Irão. São as conversações mais sérias entre os dois países desde o início da guerra e do ano. Do lado americano, a dupla habitual Steve Witkoff/Jared Kushner não vai sozinha; a comitiva será liderada pelo vice-presidente, JD Vance, que já manifestou algum otimismo. “Como disse o presidente dos Estados Unidos, se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, estamos certamente dispostos a estender-lhes a mão”, disse Vance esta sexta-feira.

A delegação iraniana vai ter o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, e o presidente do parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, como pontas de lança. Este último estabeleceu duas condições para as negociações ocorrerem: um cessar-fogo no Líbano e o descongelamento dos bens iranianos confiscados antes do conflito.

Mais do que nunca, em ano de eleições intercalares, Trump precisa que estas conversações sejam um sucesso. A sua popularidade está em níveis historicamente baixos, com muitos americanos a reprovarem a ação militar desencadeada no início de março, e os indicadores económicos começam a ressentir-se do fecho do Estreito de Ormuz. A inflação de março nos EUA subiu para 3,3%, face aos 2,4% de fevereiro, o que corresponde ao valor mais alto em dois anos. Para isso muito contribuiu o aumento do preço dos combustíveis, que subiu 21,2% em março face ao mês anterior.

"O presidente apresenta todos os sinais de demência"

Donald Trump sorridente (FRANCIS CHUNG/POLITICO POOL via Lusa)

A insatisfação com Trump começa a ganhar volume na sociedade americana. Nos corredores do poder da capital americana já se fala na 25.ª Emenda, que trata de assuntos relacionados com a sucessão ao presidente. Uma das secções da emenda permite que o presidente seja removido do cargo contra a sua vontade caso seja considerado incapaz de desempenhar as suas funções por algumas figuras. Para isto acontecer, a maioria dos aliados de Trump, incluindo Vance e outros governantes, teria de se virar contra ele, e a medida ainda teria de passar pelo Congresso, o que é altamente improvável.

Ainda assim, o apoio à ativação desta emenda vai crescendo, inclusive entre os republicanos. “25.ª EMENDA!!! Não caiu uma única bomba sobre os Estados Unidos. Não podemos exterminar uma civilização inteira. Isto é maldade e loucura”, escreveu no X a congressista Marjorie Taylor Greene, figura de proa do movimento MAGA e outrora defensora acérrima do presidente.

Outros posts de Trump também levantaram sobrancelhas. Pedir ao Irão para abrir “a m**** do Estreito” enquanto chama aos seus líderes “malucos do c******” não é a linguagem que se exige de um chefe de Estado, ainda para mais da maior potência mundial. Há quem fale em problemas mentais graves.

“Errático. Incapacidade de terminar frases. Confusão frequente. Raciocínio ilógico. Dificuldade em encontrar as palavras certas. Sintomas que se desenvolvem e agravam gradualmente ao longo do tempo. O presidente apresenta todos os sinais de demência”, diz o médico Vin Gupta, analista do canal MS Now, antiga MSNBC.

O comportamento irracional de Donald Trump é bem patente na forma como fala dos aliados europeus e da NATO. “A NATO NÃO ESTAVA PRESENTE QUANDO PRECISÁVAMOS DELA, E NÃO ESTARÁ PRESENTE SE VOLTARMOS A PRECISAR DELA”, escreveu o presidente americano na Truth Social, ignorando que a única vez que o artigo 5.º do tratado foi ativado foi precisamente pelo governo dos EUA, após os ataques do 11 de Setembro. A Casa Branca disse depois que, na reunião desta semana com Mark Rutte, o líder americano levantou a possibilidade de sair da Aliança Atlântica, enfadado com a falta de apoio dos aliados europeus à sua guerra contra o Irão.

É difícil saber quanto será bluff e quanto será verdadeiro com Trump mas, a cada dia que passa, uma das grandes políticas de longa data dos EUA, saída da Segunda Guerra Mundial, corre o risco de ruir.

Um Magyar para mandar nos magiares

Peter Magyar

Um dos poucos líderes europeus que escapa à ira de Trump é Viktor Orbán, que tem este fim de semana um teste de fogo à sua governação. Os húngaros vão às urnas este domingo e o primeiro-ministro do país pode estar prestes a ter de abandonar o poder após 16 anos.

O Tisza, partido fundado há menos de seis anos, lidera a vasta maioria das sondagens independentes, e o seu líder, Péter Magyar, antigo aliado de Orbán que passou anos a tentar entrar no governo, está na pole position para ser o próximo primeiro-ministro.

A administração Trump ainda tentou dar um empurrão ao enviar JD Vance a Budapeste para um comício de apoio a Orbán, mas o impacto terá sido limitado. Os húngaros não estão contentes com o rumo do país nos últimos anos. O preço das casas subiu mais de 20% no último trimestre de 2025 face ao mesmo período do ano anterior, o preço dos alimentos mais do que duplicou na última década e a elevada carga fiscal – a Hungria tem o IVA mais alto do mundo, de 27% - contribuem para a insatisfação. Aliado a isto está também o controlo da imprensa por parte do governo, a erosão do Estado de Direito e os elevados níveis de corrupção.

Quem também quererá ver-se livre de Orbán é a Comissão Europeia, que se tem visto refém de Budapeste em muitas tomadas de decisão importantes, nomeadamente no que diz respeito à guerra da Ucrânia. Orbán já deu provas de ser um bom aliado de Moscovo – o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, foi inclusive apanhado a informar o homólogo russo, Sergei Lavrov, do estado das negociações para a adesão da Ucrânia ao bloco dos 27.

A CNN Portugal está a acompanhar as eleições na Hungria no centro da ação com os repórteres Helena Lins e José Chorão. E este domingo o site da CNN Portugal vai publicar um longo trabalho sobre a Hungria que vai marcar o dia - disponível pelas 08:00.