"Caso encerrado"? Há milhões de páginas do dossier Epstein "retidas" e audiências importantes à porta
Das inúmeras questões em aberto após o Departamento de Justiça dos EUA ter divulgado mais de 3,5 milhões de novos documentos do acervo de Jeffrey Epstein (seis semanas depois do prazo legal), há uma que salta à vista: é este o fim da saga em torno da rede de tráfico sexual, pedofilia e abusos montada pelo bilionário caído em desgraça? É improvável.
Para a administração de Donald Trump, nas palavras do próprio presidente e do seu vice-procurador-geral, Todd Blanche, o caso está encerrado. A divulgação dos documentos – entre milhões de emails e mensagens de texto, 2 mil vídeos e 180 mil fotografias – “marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão dos documentos”, disse Blanche esta semana, dando a entender que, da parte do Departamento de Justiça, o trabalho está concluído. “Ir a festas e trocar emails com Epstein não é um crime”, adiantou Blanche, e apesar de as vítimas quererem ser “totalmente ressarcidas”, isso não significa que a administração “possa simplesmente criar provas”.
Não é, contudo, assim que muitos outros encaram a questão, desde os democratas norte-americanos às autoridades de vários países europeus que já abriram as suas próprias investigações ao caso e aos internautas que continuam a esmiuçar os conteúdos divulgados. “O Departamento de Justiça afirmou ter identificado mais de 6 milhões de páginas potencialmente relevantes, mas está a divulgar apenas cerca de 3,5 milhões após revisão e censura”, destacava há alguns dias o democrata Ro Khanna, que liderou a Lei da Transparência dos Arquivos Epstein juntamente com o republicamo Thomas Massie na Câmara dos Representantes. “Isto levanta questões sobre porque é que o restante está a ser retido.”
Meios de comunicação social e utilizadores das redes sociais em todo o mundo têm passado os novos documentos a pente fino e publicado as descobertas a conta-gotas, revelando partes do “o esquema ponzi social” montado por Epstein, como batizado pelo Financial Times, da “rede de riqueza, poder e malandragem” do bilionário, como o Politico a classifica, e da “influência de Israel, Rússia e Emirados Árabes Unidos sobre autoridades americanas” facilitada por Epstein, como noticia o Times of Israel.
Outras revelações vão desde acusações de tortura e vídeos de aparente bestialidade com crianças até ao que o Telegraph diz ser o “plano sinistro de Epstein para disseminar o seu DNA pela raça humana”, com base em emails trocados pelo bilionário com várias personalidades, incluindo com o ex-príncipe Andrew de Inglaterra a discutir eugenia, e com Bryan Bishop, um empreender de criptomoedas, a discutrir um “projeto de criação de bebés”.
Esta última troca de emails, datada de 2018, ocorreu anos depois de Epstein ter manifestado o desejo de usar o seu rancho “Zorro” no Novo México como base para engravidar mulheres com o seu esperma – uma propriedade que, segundo relatos de vítimas, era um dos locais onde o bilionário e os seus associados abusavam de crianças e jovens mulheres, a par da sua famosa ilha e outras propriedades em vários países.
Uma década antes de discutir o financiamento do projeto com Bishop, Epstein tinha sido condenado por aliciamento de prostituição de uma menor, um crime de que se declarou culpado em tribunal. Em julho de 2019, um ano depois da troca de emails, foi formalmente acusado de tráfico sexual de menores. Um mês depois, foi encontrado morto na cela da prisão onde aguardava julgamento.
Entre todas as informações aterradoras contidas nos ficheiros já divulgados, entre os nomes das dezenas de figuras poderosas de todo o mundo ligadas de uma ou outra forma a Epstein – incluindo referências a Trump, que segundo a BBC serão mais de 6 mil – também tem surgido muita desinformação e conteúdo manipulado. Apurar o que é verdade e o que é mentira levará meses, senão anos – e, a julgar pelas declarações de Blanche, não será o Departamento de Justiça dos EUA a fazer esse trabalho.
Trump, esse, diz que a documentação o iliba totalmente de culpas – o mesmo Trump que, em 2000, dizia que Epstein era “um tipo incrível” e aparecia ao seu lado em inúmeras festas, muitas vezes rodeado de muito jovens mulheres, e que agora diz que “nunca” foi seu “fã”. Essa não é a única reviravolta a notar na postura do presidente. Com Bill e Hillary Clinton a cederem às pressões para serem ouvidos no Congresso sobre o caso Epstein, após o nome do antigo presidente ter surgido na tranche de ficheiros divulgados no final do ano passado, o presidente deixou de lado as críticas impiedosas que dedicou nos últimos anos ao casal Clinton.
“Detesto ver isto, de muitas maneiras”, disse quando questionado sobre os iminentes depoimentos de Bill e Hillary – “sempre gostei” dele e ela é “uma mulher muito capaz e muito, muito inteligente”, adiantou. Antes desses depoimentos, marcados para 26 e 27 de fevereiro (e que a ex-candidata presidencial quer que sejam públicos), o Congresso terá a sua primeira e antecipada audiência relacionada com o caso Epstein já na segunda-feira – a de Ghislaine Maxwell, braço-direito do bilionário e, até hoje, a única pessoa condenada pelo seu papel na rede de pedofilia e tráfico de menores.
“Ouvimos dizer que Ghislaine Maxwell planeia invocar a 5.ª emenda no seu depoimento na segunda-feira”, disse há alguns dias a deputada republicana Nancy Mace na X, em referência à possibilidade de uma pessoa não responder a questões para evitar incriminar-se. “Quando uma traficante sexual condenada invoca a 5.ª emenda, não se trata mais de autoincriminação, mas sim de autopreservação e de não querer irritar as pessoas ricas e poderosas para quem ela traficou essas crianças.”
A única garantia é que esse será só mais um capítulo da saga, e um que pode revitimizar as mulheres que sofreram abusos às mãos de Epstein, Maxwell e todos os seus associados – da mesma forma que voltaram a ser vitimizadas com a publicação dos documentos, em que o Departamento de Justiça foi cuidadoso a proteger a identidade de suspeitos agressores mas não tão cuidadoso a proteger a das vítimas.
Guerra aberta nas ruas – e nas urnas
Faltam precisamente nove meses para as eleições intercalares e a questão já não é “se Trump vai minar a confiança nas eleições mas sim como” vai fazê-lo. É o que defendeu esta semana Susan B. Glasser na revista New Yorker – e não está sozinha. “Os democratas têm de levar a sério a tarefa de impedir que Trump manipule as eleições intercalares”, escreveu a revista Nation.
Até políticos republicanos estão preocupados com as ações do presidente daqui até novembro – como o senador do Kentucky Rand Paul. “Não é isso que a Constituição diz sobre eleições”, referiu o legislador esta semana depois de o presidente ter pedido ao seu partido que “assuma o controlo” dos procedimentos eleitorais em mais de uma dúzia de estados e “nacionalizem” o ato eleitoral.
O pedido de Trump surgiu no início da semana, acompanhado da alegação falsa e largamente repetida por si de que as presidenciais de 2020 lhe foram “roubadas”. “No que diz respeito ao momento, local e forma das eleições, isso, de acordo com a Constituição, é uma atividade dos estados, portanto não sou a favor de nacionalizar [as eleições]”, acrescentou Rand Paul. Mas nem todos os republicanos acham que esta é uma má ideia.
No rescaldo da sugestão de Trump, o líder da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, veio deitar mais lenha na fogueira. “Tínhamos três candidatos republicanos à Câmara que estavam à frente no dia das eleições no último ciclo eleitoral e, a cada nova leva de votos que chegava, a vantagem deles magicamente diminuía até a perderem…”, disse o republicano aos jornalistas no Capitólio. “Parece fraude. Mas posso provar isso? Não.”
Dois dias, mais achas para a fogueira, com Trump a dizer em entrevista à NBC News que só vai aceitar os resultados das intercalares se considerar que são “honestos” e a garantir que não pediu aos republicanos que “nacionalizem” as eleições (spoiler alert: foi essa a palavra que usou.) “Eu não disse nacionalizar. Eu disse que existem algumas áreas no país que são extremamente corruptas, que têm eleições muito corruptas – vejam Detroit, Filadélfia, Atlanta… Existem algumas áreas que são inacreditavelmente corruptas.”
A alegação veio, novamente, sem qualquer prova a sustentá-la, mas as cidades nomeadas mostram como as preocupações do presidente estão exclusivamente ligadas a cidades que tendencialmente votam com larga maioria no Partido Democrata. É a mesma tendência notória nas operações anti-imigração do ICE – que estão a ser conduzidas não em cidades com elevada imigração clandestina comprovada mas naquelas onde a oposição à administração federal é mais forte, à cabeça Minneapolis.
Duas semanas depois do homicídio de Alex Pretti, quatro desde o assassinato de Renee Good – ambos cidadãos norte-americanos mortos a tiro por agentes do ICE em incidentes questionáveis, mas que o Departamento de Segurança Interna defendeu antes de qualquer investigação – esta semana o novo chefe de operações anti-imigração no Minnesota anunciou a retirada de 700 agentes do estado.
A decisão foi acompanhada de outras medidas mitigantes, como a atribuição de câmaras corporais aos mais de 2 mil agentes que ficaram em Minneapolis e a abertura de uma investigação aos dois agentes envolvidos na morte de Pretti, mas também de outras que prometem atiçar a fogueira das batalhas campais naquela e noutras cidades do país no âmbito das operações do ICE – à cabeça a expansão dos poderes dos agentes de imigração para entrarem em habitações privadas sem mandados de busca, como noticiado pelo New York Times, numa clara violação da 4.ª emenda da Constituição dos EUA.
A par disso, e depois das celebrações com a libertação do pequeno Liam Ramos, de cinco anos, que tinha sido detido com o pai em Minneapolis e enviado para um centro de detenção no Texas, o vice-procurador-geral disse que a administração pretende apresentar recurso a essa decisão judicial para voltar a prender pai e filho no mesmo centro sobrelotado onde, esta semana, foi detetado um grave surto de sarampo entre os detidos.
No espaço de um ano, a população detida pelo ICE e pela guarda de fronteiras (CBP) quase duplicou, mas a falta de capacidade para manter estas pessoas, incluindo muitas crianças, detidas estava a provar-se um problema para a administração Trump – que, agora, está a comprar grandes armazéns em catadupa para os transformar em prisões com recurso a 45 mil milhões de dólares do “grande e belo projeto de lei” orçamental aprovado no ano passado. O governo federal terá ainda de gastar milhões de dólares adicionais para adaptar os espaços para detenções que, legalmente, não podem ultrapassar os seis meses até os detidos serem deportados.
Porque também isto é um negócio, grandes empresas como a Palantir de Peter Thiel, amigo de Trump, a Deloitte e outras consultoras, grupos de tecnologia, companhias aéreas e uma empresa de extração de gravilha encabeçada por outro aliado do presidente arrecadaram coletivamente mais de 22 mil milhões de dólares em contratos com agências federais no último ano no âmbito das agressivas operações anti-imigração, como noticiou o Financial Times.
Enquanto isso, um outro aliado de Trump sugeriu que os agentes do ICE sejam destacados para as urnas nas intercalares de novembro – as mesmas que o presidente que ver o Partido Republicano “nacionalizar”. Questionada sobre a hipótese levantada por Steve Bannon, uma porta-voz da Casa Branca disse aos jornalistas que “não é uma possibilidade que tenha ouvido o presidente considerar”. Mas isso não significa que não vá acontecer. Como a própria Karoline Leavitt reconheceu na mesma conferência: “Não posso garantir que não haverá agentes do ICE nas proximidades de um local de voto em novembro.”
Catástrofes à espera de acontecer
Inaugurou-se esta semana uma nova era mundial, em que os países com os maiores arsenais nucleares do mundo deixaram de estar regidos pelo derradeiro tratado bilateral de controlo de armamento e não-proliferação. Na quinta-feira, expirou o prazo do New Start, implementado entre EUA e Rússia em 2011 e prorrogado em 2021, sem que qualquer dos países tenha sinalizado interesse em renegociá-los ou substituí-lo por outro semelhante.
Sob o New Start, americanos e russos estavam limitados a um máximo de 1.550 ogivas nucleares de longo alcance implantadas em sistemas de lançamento e sujeitos a monitorização periódica. Sem o New START, “com a perda das trocas de dados e das inspeções no terreno, o âmbito e a escala do arsenal estratégico tornam-se menos claros” e os países “terão de fazer escolhas de posições baseadas apenas em estimativas e presunções, não em factos concretos”.
O alerta é de Alexandra Bell, presidente e CEO do Bulletin of Atomic Scientists, numa entrevista à CNN Portugal esta semana, na qual sublinha que esta situação “pode levar a erros de cálculo, mal-entendidos e perceções erradas que conduzam a uma corrida ao armamento ou mesmo a ações cinéticas”.
Os riscos, alertam os especialistas, são enormes. “Se os países com armas nucleares deixarem de comunicar ou de cooperar na redução dos riscos nucleares, a probabilidade de catástrofe aumentará rapidamente”, diz Bell. E “não é descabido supor que também podemos vir a assistir à aquisição de armas nucleares por novos Estados”, acrescenta Vladislav Chernavskikh, investigador do programa de armas de destruição maciça do Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo – “uma discussão cada vez mais comum em muitos países do mundo”.
Entre esses países conta-se o Irão, cujo programa nuclear esteve regido por um acordo com a comunidade internacional entre 2015 e 2018, ano em que Donald Trump decidiu retirar-se do JCPOA no seu primeiro mandato presidencial. Agora, ao final do primeiro ano da sua segunda administração, o presidente norte-americano não renovou o New START, reformulou secretamente as diretrizes internas de segurança nuclear e renovou as pressões ao regime em Teerão, exigindo que abdique do seu programa de enriquecimento de urânio.
Na sexta-feira, americanos e iranianos deram início a negociações nucleares em Omã, sem se saber ao certo o que estava em cima da mesa ou o que poderá sair dessas reuniões, mais de um mês depois do início de protestos em massa contra o regime no Irão, que, apesar de tudo, se tem “provado muito mais resiliente do que se antecipava”, refere o especialista Samuele Abrami.
Numa entrevista à CNN antes do arranque das negociações em Omã, o investigador do Centro de Assuntos Internacionais de Barcelona destacou como “não parece haver uma estratégia clara da parte da administração norte-americana”, que está a seguir “uma abordagem de ‘esperar para ver’”, com exigências maximalistas e sem um objetivo particularmente claro. “Com o Irão à mesa, a questão final é: os EUA sabem o que querem ou será isto uma desculpa para poderem manter todas as opções em aberto?”
Na véspera dos encontros de sexta-feira, o Irão fez mais um anúncio explosivo que prometia deitar achas na fogueira de instabilidade geopolítica, colocando um míssil balístico de longo alcance em posição de prontidão, após tê-lo movido para uma das cidades utilizadas pela Guarda Revolucionária para albergar silos de mísseis. A notícia foi avançada pela televisão iraniana Press TV, que identificou o míssil como sendo o Khorramshahr 4, com um alcance de dois mil quilómetros e capaz de transportar uma ogiva com um máximo de 1.500 quilos de explosivos.
Quem está a ganhar a guerra?
De um momento para o outro, as comunicações pararam, drones deixaram de receber ordens e unidades na linha da frente ficaram "cegas". O resultado da decisão de Elon Musk de criar um mecanismo para travar a utilização de terminais de satélite Starlink foi praticamente imediato para as unidades russas. Segundo o novo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, a SpaceX, empresa que fornece os terminais de Internet por satélite, criou um sistema de verificação de terminais para que apenas os militares ucranianos os possam utilizar dentro do território ucraniano.
Segundo uma fonte do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, todos os sistemas Starlink da Rússia "foram cortados", na noite de quinta-feira. Estes sistemas estavam a desempenhar um papel fundamental nos ataques de drones russos, com os militares a montar os terminais nos drones, permitindo que estes ultrapassassem a vasta rede de defesa eletrónica ucraniana, que interfere com os sinais de rádio e GPS.
"O inimigo na linha da frente está a enfrentar não apenas um problema, mas uma catástrofe. Todo o comando e controlo das tropas entrou em colapso. As operações de assalto foram interrompidas em muitas áreas", disse Serhii Beskrestnov, um conselheiro do ministro da Defesa, em declarações à CNN Internacional.
E as reações entre bloggers militares pró-russos não tardou a aparecer. Pelo menos nove bloggers afirmaram que a ligação a estes drones foi completamente cortada e lamentaram a total ausência de alternativas produzidas internamente. “Tudo isto é muito mau, especialmente tendo em conta a importância das comunicações na frente de combate”, escreveu o bloguista Roman Alekhin no Telegram. Outro comentador proeminente, Alexendar Kots, lamentou que este é o "calcanhar de Aquiles" russo.
Ao mesmo tempo, bem no coração do regime russo, os serviços secretos ucranianos conduziram uma das suas operações mais ousadas. Durante a manhã do dia 6 de fevereiro, um suspeito atingiu com "múltiplos tiros" o tenente-general Vladimir Alekseyev, perto do seu bloco de apartamentos, nas imediações do Ministério da Defesa das. O general foi hospitalizado em estado grave.
Alekseyev não era um general qualquer na elite russa. O militar era o vice-diretor dos serviços de informações militares desde 2011. É amplamente creditado pelos Estados Unidos da América como sendo o responsável por várias "ciber atividades maliciosas", incluída a interferência informática nas eleições americanas de 2016. Já durante a invasão, Alekseyev foi responsável pela negociação da rendição dos militares na fábrica Azovstal, em Mariupol.
Começam também a surgir relatos de desequilíbrios entre os números de recrutamento russos e o número de baixas. Em dezembro de 2025, pela primeira vez desde o início da invasão, a Rússia teve um número de baixas superior ao número de militares recrutados. No último mês de 2025, Moscovo conseguiu recrutar aproximadamente 27.400 soldados, no entanto, o número de mortos e feridos atingiu os 33.200, espelhando o resultado daquele que foi o ano mais mortífero do conflito.
Só que esta inversão, um número de baixas superior ao número de militares recrutados, pode representar uma tendência perigosa para o Kremlin, caso se venha a manter. Para mitigar o impacto das baixas, o ministério da Defesa russo assinou uma nova lei que permite os recrutas que são chamados todos os anos para fazer serviço militar (mas que por lei não podem ser utilizados em combate) sejam destacados para proteger infraestruturas críticas. A medida permite a Moscovo "libertar" soldados com contrato para "tapar buracos" nas unidades da linha da frente mais afetadas.
Parte da capacidade de recrutamento russa está ligada ao esforço orçamental que a Rússia tem feito para atrair centenas de milhares de voluntários. Mas vários especialistas estão a apontar que o próximo ano vai ser ainda mais complicado em termos orçamentais para o governo russo. De acordo com a Reuters, que cita fontes próximas do governo russo, o défice fiscal para 2026 pode vir a ser três vezes maior do que a previsão do executivo.
A fonte citou cálculos de economistas de um grupo de reflexão ligado ao governo, que não estão planeados para publicação. São o último sinal das crescentes tensões numa economia russa que enfrenta sanções, taxas de juro elevadas e escassez de mão de obra. - João Guerreiro Rodrigues