A nossa carteira abre a semana a sofrer e com mais um nome para recordar
Mais de uma semana depois de ficar sem líder, quando caminha para 50 anos de uma revolução que mudou o mundo, o Irão volta a ter um rosto para quem olhar. Mojtaba Khamenei é a escolha da Assembleia de Peritos, apesar de todas as polémicas que envolvem o homem que também é filho do aiatola Ali Khamenei, Líder Supremo até dia 28 de fevereiro.
O Irão amanhece, assim, para uma segunda semana guerra de forma reforçada, ainda que todo e qualquer líder tenha a cabeça a prémio, bastando não cumprir aquilo que é a vontade de Donald Trump para que se efetive o gatilho de Estados Unidos e Israel.
Sabemos que a Casa Branca, mais especificamente o presidente norte-americano, tem dois ou três preferidos, mas não sabemos quem são, muito menos se este nome é um deles.
Se não for, o melhor é esconder o novo Líder Supremo, o terceiro da República Islâmica, já que Estados Unidos e Israel estão mesmo à caça.
E Mojtaba Khamenei chega perante garantias de que o Irão não vai acalmar a guerra. “Não estamos à procura de um cessar-fogo”, garantiu o presidente do parlamento, antecipando vários ataques às infraestruturas de Israel caso as petrolíferas não deixem de ser um alvo.
É que em Teerão chove, por estas horas, uma chuva negra, chove petróleo, como nos conta Frederik Pleitgen, correspondente da CNN Internacional que foi o primeiro jornalista ocidental a conseguir entrar num Irão em ebulição, chegando mesmo até à capital.
É de lá que nos descreve um cenário perto do apocalipse, com o líquido negro do petróleo a evaporar-se e a colocar a saúde de todos os que moram na capital iraniana em risco.
Também por isso, mas por muito mais do que isso, o mercado grita e o consumidor - nós - aperta. Esta segunda-feira chega aos postos de combustível o maior aumento de sempre: são 23 cêntimos no gasóleo e 7 cêntimos na gasolina, numa subida que, no primeiro caso, nem o desconto dado pelo Governo consegue atenuar.
Sabendo disso, o Irão admite escalar tudo, já que os combustíveis é só começo, seguindo-se tudo, já que tudo deles depende. É que um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica acenou com um número aterrador: 200 dólares por barril de petróleo. Por um lado ainda vamos a meio disso, por outro, já vamos a meio disso: o preço do barril ultrapassou os 100 dólares, chegando aos 103, atingindo o valor mais alto desde agosto de 2022.
A barreira dos 200 dólares seria algo impensável, já que nunca o mundo viu valores acima dos 147 dólares por barril, teto alcançado na crise de 2008, mas o Irão sabe que tem capacidade para provocar algo, mesmo que não dessa dimensão.
Com novo nome em Teerão, é também para lá que devem olhar as nossas carteiras, já que da sua moderação ou radicalização pode vir o seu recheio ou falta dele. A dele e a de mais dois homens, que a Donald Trump e Benjamin Netanyahu também têm poder de decisão, talvez até o maior.
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