“Pseudo-arautos” que insultam, manipulam e “covardemente” insinuam represálias. Gestores da Casa da Música revoltados após denúncias de sindicatos

CNN Portugal , Com Lusa
13 abr, 13:27
Vigília na Casa da Música, no Porto, em 2020. Imagem de arquivo

Num comunicado de linguagem invulgarmente tumultuosa, administração da Casa da Música reage num “grito de protesto” a críticas antigas de trabalhadores que na última semana ganharam novo eco, com denúncias de sindicatos. Instituição ataca “agendas de duvidosa dignidade” que pretendem “resultados desviantes”

“Como quem não se sente não é filho de boa gente, vimos publicamente repudiar as insinuações de represálias, discriminações, incumprimentos legais e ausências de diálogo que covardemente têm sido lançadas para a praça pública”. Este é só uma das frases carregadas que a administração da Casa da Música escreve hoje, num comunicado oficial em que se revolta contra críticas e denúncias recentes de sindicatos que a põem em causa, num processo conflituoso já antigo que envolve um conjunto de trabalhadores afastados da instituição.

A administração da Casa da Música qualifica estas intervenções como uma “prática  manipuladora que sentimos menos dirigida a nós próprios e mais orientada para resultados desviantes e movidos por agendas de duvidosa dignidade e escassa legitimidade democrática”.

A gota de água

O conflito dura há cerca de dois anos, mas ganhou novo fôlego esta esta segunda-feira, quando o Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE) acusou a administração da Casa da Música, no Porto, de exercer represálias junto de trabalhadores sindicalizados e que aderem a greves.

“Houve algumas a alterações salariais no início deste ano e notou-se claramente que houve uma série de trabalhadores que ficaram de fora. Isso coincide com os trabalhadores que são reivindicativos, que fazem greve, que têm manifestado insatisfação”, afirmou Fernando Lima, do Cena-STE, na segunda-feira à agência Lusa.

O sindicalista acrescentou que “os trabalhadores perderam direitos adquiridos que tinham no que respeita a compensações por trabalho em feriado”, e fez outras acusações ao conselho de administração da Casa da Música, acusando-a de recusar negociar e só ter reunido com o sindicato quando este fez um pré-aviso de greve.

À Lusa, após o Cena-STE ter enviado o comunicado que decidiu dirigir ao Conselho de Fundadores da Fundação Casa da Música, Fernando Lima disse que a administração deste equipamento cultural “continuar a promover a precariedade” e que da vez que aceitou reunir, em novembro do ano passado, a reunião foi “inconclusiva e sem diálogo”. De acordo com Fernando Lima, os processos de regularização de trabalhadores precários continuam a prolongar-se em grande parte. “Todos os assistentes de sala continuam a trabalhar a recibo verde”, exemplificou. “Nos agrupamentos residentes, coro e orquestras, há músicos há 20 anos nessa situação. Só a Orquestra Sinfónica tem contrato de trabalho. Há formadores e trabalhadores da área técnica na mesma situação precária. Houve contratações porque a ACT [Autoridade para as Condições de Trabalho] reconheceu falsos recibos verdes em situações antigas, mas isto continua a ser uma prática”, criticou.

Na segunda-feira, a Casa da Música não quis reagir. Reagiu hoje.

O "arrazoado" de insultos e "inverdades"

“Este Conselho de Administração recusa-se a aceitar, no seu todo ou na sua individualidade, as lições de capacidade de gestão, conhecimento cultural e relacionamento laboral que alguns pseudo-arautos exclusivos do bem lhe pretendem implicitamente dar no  meio de um arrazoado nunca explicitado de declarações não provadas, de tratamentos  insultuosos ou até de puras inverdades”, escreve o comunicado.

Mostrando-se ofendida, a administração faz questão de declarar ser constituída “por sete pessoas com vida pessoal e profissional própria e amplamente conhecida na Cidade”, seis das quais não são remuneradas.

Num “grito de protesto”, a Administração diz-se convicta de que “a falsidade, o corporativismo e o passadismo não encontrarão terreno fértil para medrar”. E anuncia não querer entrar em debate público depois deste comunicado:

“Não iremos dedicar mais tempo a alimentar conversas surdas com quem apenas procura criar ruído e desordem no seio da Instituição e do seu entorno.”

Falta saber a reação política e sindical a um comunicado invulgar, que também sintetiza a evolução da Casa da Música como um projeto "sempre à custa do esforço de tantos e tantos que, dentro e fora, por eles deram o melhor ao seu alcance: trabalhadores e músicos, fundadores e administradores, patrocinadores e governantes, frequentadores e visitantes".

Admitindo que "nem tudo correu sobre rodas nestes já mais de dezassete anos de intensa atividade", a administração diz estar certa de que a maioria dos gestores que passou pela Casa "o fizeram na sua melhor boa fé de interesse pelo projeto e de vontade inabalável no sentido de o ver crescer e singrar".

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