Adidas e Willy Chavarria pedem desculpa à comunidade indígena mexicana por “apropriação” de calçado

CNN , Michael Rios
12 ago 2025, 14:09
Willy Chavarria, que desenhou o 'Oaxaca Slip-On,' no Mark Hotel a 5 de maio de 2025, em Nova Iorque (Lexie Moreland/WWD/Getty Images)
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"Fazemos um pedido de desculpas público"

A marca de artigos desportivos Adidas e o designer mexicano-americano Willy Chavarria pediram desculpa após um estado mexicano os ter acusado de apropriação cultural em relação ao design de um novo calçado.

O "Oaxaca Slip-On", anunciado como uma colaboração entre a Adidas Originals e Chavarría, apresentava uma superfície de couro entrançado, um salto aberto e uma sola de borracha grossa.

As autoridades do estado mexicano de Oaxaca acusaram a Adidas, na semana passada, de ter copiado a sandália artesanal "huarache" da comunidade de Villa Hidalgo Yalálag, pertencente àquele estado.

A Adidas e Chavarría reconheceram que o seu produto foi inspirado num design daquele estado, tendo emitidos pedidos formais de desculpas.

"Fazemos um pedido de desculpas público e reafirmamos o nosso compromisso de colaborar com [a comunidade de] Yalálag num diálogo respeitoso, que honre o seu legado cultural", reagiu a Adidas num comunicado à CNN na segunda-feira.

Em separado, Chavarría afirmou que "lamenta profundamente que o calçado [tradicional] tenha sido alvo de apropriação neste design e não desenvolvido em parceria direta e significativa com a comunidade de Oaxaca".

O estilista, conhecido por defender a cultura mexicano-americana e por incorporá-la no seu trabalho de moda, acrescentou que a sua intenção era homenagear a cultura e a arte de Oaxaca e das suas comunidades.

Marina Nunez Bespalova, subsecretária de Desenvolvimento Cultural do México, discursa durante a conferência de imprensa matinal da presidente Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional, para condenar a Adidas e o estilista Willy Chavarria pelo ténis "Oaxaca Slip On", na Cidade do México, a 8 de agosto. (Presidência do México/Divulgação/Reuters)

O design gerou agitação em todo o México – a um ponto tal que a presidente Claudia Sheinbaum se sentiu impelida a comentar.

"Muitas vezes, as grandes empresas apropriam-se de produtos, de ideias e de designs de comunidades indígenas do nosso país", afirmou na sexta-feira, acrescentando que o seu governo trabalhará numa nova lei para garantir que "a criatividade de um povo indígena não seja usurpada".

O país já tinha aprovado legislação que pune o uso não autorizado de expressões culturais indígenas com multas pesadas e penas de prisão. A medida foi aprovada depois de empresas como a Zara, a Anthropologie e a Patowl terem enfrentado reações semelhantes por causa de designs ou motivos percebidos como sendo muito semelhantes a elementos tradicionais.

A Adidas e o governo de Oaxaca irão manter conversações, tendo como foco a compensação da comunidade indígena, disse a vice-secretária de Desenvolvimento Cultural do México, Marina Núñez Bespalova, na sexta-feira.

"A Adidas já entrou em contacto com o governo de Oaxaca e as conversações começarão com o apoio do Ministério da Cultura, através do Instituto Nacional de Direitos de Autor, conforme exigido pela Lei do Património", disse.

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