Identificado suspeito da agressão a ator que fazia de Camões em peça de teatro

CNN Portugal , AM com Lusa
11 jun 2025, 06:03
Adérito Lopes, ator da companhia de teatro A Barraca. (Imagem: Filipe Ferreira)

Adérito Lopes foi violentamente agredido à porta do Cinearte e foi transportado para o hospital

O suspeito da violenta agressão a Adérito Lopes - o ator da companhia de teatro A Barraca que foi agredido na terça-feira à noite por um grupo de extrema-direita, em Lisboa, quando entrava para um espetáculo com entrada livre de homenagem a Camões - foi localizado e intercetado pela PSP.

Em declarações à Lusa, fonte da PSP revelou que o homem com 20 anos foi localizado nas ruas adjacentes ao Largo de Santos.

De acordo com a mesma fonte, o agredido necessitou de assistência hospitalar, tendo sido assistido no local pelos bombeiros e depois transportado para o hospital.

A PSP identificou os intervenientes neste caso - suspeito, ofendido e testemunha - e vai comunicar todos os factos apurados ao Ministério Público.

Peça cancelada

Em declarações à Lusa, a também atriz Maria do Céu Guerra contou que por volta das 20:00, estavam os atores a chegar ao Cinearte, no Largo de Santos, quando se cruzaram à porta “com um grupo de neonazis com cartazes, programas”, com várias frases xenófobas, que começaram por provocar uma das atrizes.

“Entretanto, os outros atores estavam a chegar. Dois foram provocados e um terceiro foi agredido violentamente, ficou com um olho ferido, um grande corte na cara”, afirmou a também encenadora, de 82 anos, que disse que o ator em causa teve de receber tratamento hospitalar.

Maria do Céu Guerra contou à Lusa que o espetáculo “Amor é um fogo que arde sem se ver” teria a última récita, de um conjunto de seis, às 21:00, com entrada livre, e tinha sala cheia, mas acabou por não acontecer.

O público só abandonou o espaço já para lá das 22:00, disse a atriz, que realçou que o sucedido só não foi pior por ter aparecido a Polícia de Segurança Pública..

Mariana Mortágua expressa solidariedade

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, expressou hoje solidariedade com a companhia de teatro A Barraca, após a agressão a um ator por um grupo de extrema-direita.

“Os neofascistas atacam os livros, o teatro e quem faz a cultura. Fazem-no porque acham que podem. O Governo do PSD retirou do relatório de segurança interna a ameaça da extrema-direita. É o maior risco à nossa democracia. Solidariedade com o teatro d’A Barraca. Vamos à luta”, escreveu a deputada única do Bloco de Esquerda na rede social X.

Na mesma rede social, a líder do grupo parlamentar do Livre Isabel Mendes Lopes também expressou solidariedade para com a companhia e declarou que a agressão "não pode ficar impune", acrescentando: "O aumento da violência e do discurso de ódio é para levar muito a sério".

Também na rede social X, o antigo deputado do Partido Comunista Português (PCP) António Filipe mostrou “solidariedade total” para com o ator agredido: “É urgente acabar com a impunidade destas associações criminosas (as tais que o Governo apagou do Relatório de Segurança Interna)”.

Em abril, após o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) ter sido enviado para a Assembleia da República e publicado no ‘site’ do Governo, o Bloco de Esquerda pediu esclarecimentos ao Governo sobre o desaparecimento da versão final do capítulo dedicado a organizações extremistas.

Numa resposta enviada à Lusa na altura, o Sistema de Segurança Interna (SSI) admitiu que existiu uma “versão de trabalho” do RASI que incluía informação sobre organizações extremistas, diferente da “versão oficial” apresentada na reunião do Conselho Superior de Segurança Interna.

“Qualquer outra versão a que a comunicação social possa ter tido acesso respeita a uma versão de trabalho sujeita a discussão e reformulações no Gabinete Coordenador de Segurança e no Conselho Superior de Segurança Interna”, referiu o SSI, responsável pela elaboração do RASI.

O SSI esclareceu ainda que a versão publicada no ‘site’ do Governo corresponde à versão apresentada na reunião do Conselho Superior de Segurança Interna e à versão enviada aos deputados do parlamento, não tendo esclarecido o motivo pelo qual foi retirada a informação sobre organizações extremistas da versão de trabalho.

O assunto levou a que também o Partido Socialista (PS) pedisse esclarecimentos ao Governo sobre as diferentes versões do RASI.

Ainda em abril, PSD, CDS e Chega rejeitaram um requerimento do BE para que a comissão permanente da Assembleia da República debatesse, com a presença do Governo, a eliminação de um capítulo dedicado a organizações extremistas na versão final do RASI 2024.

Esta rejeição foi fortemente criticada por PS, PCP e Livre, que acusaram PSD, CDS-PP e Chega de terem a "segurança na boca", mas não a quererem debater no parlamento.

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