Maquinista do comboio que descarrilou em Espanha alertou centro de controlo para parar todos os comboios

21 jan, 07:59

Acidente fez 42 mortos

O maquinista do comboio Iryo envolvido no acidente ferroviário ocorrido este domingo em Adamuz, na província espanhola de Córdova, contactou o centro de controlo de Atocha às 19:45, depois do comboio que conduzia ter sofrido um incidente que levou ao descarrilamento. O acidente fez pelo menos 42 mortos, após a colisão com um comboio Alvia que seguia no sentido contrário.

De acordo com a transcrição das comunicações registadas reveladas pelo jornal espanhol El Diário, o condutor do Iryo deu conta inicialmente de um bloqueio do comboio, provocado por aquilo que descreveu como um “enganchón”. Numa primeira fase, o maquinista não se apercebeu de que vários vagões tinham descarrilado nem de que outro comboio estava envolvido. Seguindo os procedimentos de segurança, baixou o pantógrafo (dispositivo articulado no tejadilho que recolhe eletricidade da catenária) e pediu autorização para sair da cabina e avaliar a situação no terreno.

Numa segunda comunicação, o maquinista informou que o comboio tinha descarrilado e que vários vagões estavam a invadir a via do sentido oposto, pedindo a interrupção urgente da circulação ferroviária, tendo alertado ainda para a existência de um incêndio numa das carruagens e de passageiros feridos, solicitando o envio de meios de emergência.

PRIMEIRA COMUNICAÇÃOCentro de comando: 6189, aqui é Atocha, diga-me.
Motorista Iryo: Olá Atocha, olha, acabei de ter sofrer um "enganchón" em Adamuz.
Centro de comando: Ah, pois, estou a vê-lo, estou a vê-lo, estou a vê-lo. Vamos lá, está bem. Deixa-me um número de telefone, vá lá.
Motorista Iryo: Escreva-o, por favor...
(Ouve-se o travão de emergência ao fundo)
Centro de comando: Dizem-me aqui para baixar os pantógrafos.
Motorista Iryo: Não podem estar mais baixos.
Centro de comando: Então já os baixou.
Motorista Iryo: Sim, já está tudo em baixo.
Centro de comando: Muito bem, OK.
Motorista Iryo: De facto, tenho o comboio bloqueado... quer dizer, neste momento.
Centro de comando: Então, não o podes mexer.
Motorista Iryo: Não... vou ter de fazer o reconhecimento.
Centro de comando: Vais precisar de fazer reconhecimento, tu...
Motorista Iryo: Sim.
Centro de comando: Só um segundo, motorista, não desligue. Ou eu ligo-te de volta.
Motorista Iryo: Sim, com calma.
Centro de comando: Vamos lá.
SEGUNDA COMUNICAÇÃOCentro de comando: 6189, aqui é Atocha.
Motorista Iryo: Olá, Atocha, 6189, informo que é um descarrilamento e estou a invadir a via adjacente. Repito: descarrilamento e estou a invadir a via adjacente.
Centro de comando: OK, vamos lá, recebido, bem, obrigado pelo aviso.
Motorista Iryo: Preciso que pare urgentemente o trânsito na via, por favor.
Centro de comando: Sim, sim, sim, sim... não vem nenhum comboio.
Motorista Iryo: E também tenho um incêndio... preciso de sair da cabine porque preciso de verificar, está bem? Tenho uma carruagem a arder.
Centro de comando: Tenho o teu telefone, perfeito, por isso vou passá-lo para aqui. Depois ligo-te.
Motorista Iryo: E preciso que envie, por favor, também os serviços de emergência, bombeiros e ambulâncias, também tenho pessoas feridas no comboio.
Centro de comando: Está bem, está bem, vá lá, recebi.
Motorista Iryo: Tem o meu número de telefone, está bem?
Centro de comando: Sim, sim, sim, tenho-o.
Motorista Iryo: Vou sair da cabina, depois informo-o, está bem?
Centro de comando: OK, perfeito, até já.

O comboio Iryo descarrilou ao quilómetro 318,69 da linha Madrid-Sevilha, quando circulava a cerca de 200 quilómetros por hora. Cerca de 20 segundos depois, foi atingido pelo Alvia da Renfe, que seguia de Madrid para Huelva a uma velocidade semelhante. As investigações apontam para que o Iryo tenha percorrido cerca de 500 metros fora da via.

A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários e a Guardia Civil continuam a analisar o local e os comboios envolvidos, com especial atenção ao vagão onde se terá iniciado o descarrilamento.

Europa

Mais Europa