"A vacina é o único seguro de vida que temos". O que esperar da reunião do Infarmed?

5 jan, 00:51

O ex-ministro da saúde Adalberto Campos Fernandes e o médico Ricardo Batista Leite analisaram os atuais contornos pandémicos em Portugal e explicaram quais as alterações à estratégia de contenção que consideram urgentes

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Governo e especialistas reúnem-se esta quarta-feira de manhã no Infarmed para analisar o estado atual e a estratégia de combate à pandemia de covid-19 em Portugal.

Entre os principais temas em cima da mesa vão estar a diminuição do número de dias de isolamento para infetados assintomáticos, uma nova metodologia de rastreio e acompanhamento de utentes e ainda uma eventual quarta dose da vacina contra o SARS-CoV-2, à semelhança do que já está a acontecer em Israel.

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No CNN Prime Time, o ex-ministro da saúde e comentador CNN Portugal Adalberto Campos Fernandes e o médico Ricardo Batista Leite analisaram algumas das eventuais decisões que podem advir da reunião no Infarmed.

Adalberto Campos Fernandes considera fulcral diminuir o tempo de isolamento para doentes assintomáticos e criar uma "forma muito mais automatizada através do SNS24 de controlo à distância das pessoas". Algo que permitira retirar pressão do SNS, sobretudo, dos centros de saúde e médicos de família.

“Uma estratégia que neste momento é excessivamente defensiva e que está induzir nas pessoas uma ideia errada de medo. Não há que ter medo nesta fase da situação se nos vacinarmos. A vacina é o único seguro de vida que temos. Os resultados que temos visto, nestes dois anos, é que a vacinação protegeu e evitou muitos milhares de óbitos em todo o mundo”, refere o ex-ministro da saúde.

 

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Ricardo Batista Leite enaltece que a atual discussão sobre medidas contenção é resultado de exclusivamente de uma "falha de planeamento”.

O especialista concorda com Campos Fernandes e entende que a diminuição do tempo de isolamento é imperiosa, referindo que o atual "modelo está alinhado com uma visão daquilo que era a covid-19 há um ano atrás".

“Neste momento, é fundamental sermos práticos. Infeção não é doença. Eu passava a publicar diariamente o número de infetados não vacinados, porque isso é que me permite calcular e estimar aquilo que vai ser impacto no SNS. São esses que, provavelmente numa determinada percentagem, vão precisar desses cuidados de saúde”, diz Batista Leite.

Covid-19: pandemia ou endemia?

Marcelo Rebelo de Sousa referiu, na última semana, que a situação pandémica em Portugal "a passar a endemia″. Adalberto Campos Fernandes diz que as autoridades não deveriam cair na tentação de anunciar o fim precoce de uma pandemia global, até por que esse anúncio cabe somente à Organização Mundial de Saúde (OMS).

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O comentador da CNN Portugal alerta que “há uma dinâmica que está longe de estar controlada”, realçando que é sensato “não anunciar aquilo que não podemos anunciar".

“Ajudaria muito se nos entendêssemos sobre os conceitos e não caíssemos na tentação de estar a anunciar algo que não podemos anunciar. Quem decreta ou deixa de decretar o estado de pandemia a nível mundial é a Organização Mundial de Saúde e como tem sido dito: não há semi-pandemias, ou há pandemia ou não há pandemia”, acrescenta Campos Fernandes.

Sobrecarga do SNS

Ricardo Batista Leite é perentório ao referir que a pandemia covid-19 nunca deixará de ser um risco global enquanto existirem continentes em que menos de 10% das populações estão vacinadas. O médico lembra que estas são as condições ideais para o surgimento de novas variantes.

Enquanto isso, o especialista acredita que Portugal deve ter a "maquinaria pronta" para vacinar com a quarta dose os grupos mais vulneráveis.

“É fundamental que quem esteja a governar e as autoridades de saúde assumam, de uma vez por todas, que as pessoas com outras doenças como cancros ou doenças cardíacas não podem sistematicamente ser empurrados para trás. Neste momento, isto é, aquilo que verdadeiramente está a comprometer a saúde dos portugueses”, afirma Batista Leite. 

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