Há alternativas, mas é sempre para o mesmo gosto: doce. Talvez o verdadeiro sucesso esteja em fugir daí
Há quem veja o açúcar como veneno. E as alternativas, são dignas desse nome? Decerto que já teve um amigo que, na hora do café, veio com o argumento de que o adoçante é mais saudável.
“Os adoçantes são substâncias que conferem sabor doce com muito poucas ou nenhumas calorias”, começa por descrever Paula Beirão Valente, nutricionista na Clínica Espregueira no Porto.
E “podem ser uma alternativa ao açúcar em algumas situações, mas não significa obrigatoriamente que seja a opção mais saudável”, aponta a nutricionista Filipa Costa.
Quando é que o adoçante pode fazer a diferença?
“As pessoas em processo de emagrecimento ou com diabetes podem beneficiar da troca do açúcar por adoçante devido à ausência ou redução de calorias ou ao menor impacto na glicémia”, resume Filipa Costa.
No fundo, se tem dificuldade em abandonar o sabor doce na sua rotina, o adoçante pode ser um forte aliado na transição.
“Já num consumo ocasional, por exemplo, de uma sobremesa, tal poderá não ser necessário, passando a fazer mais sentido adicionar pequenas quantidades de açúcar e optar-se por açúcares com maior poder nutricional”, remata Paula Beirão Valente.
Os adoçantes são seguros?
À mesa, quando chega o adoçante, repete-se o argumento: “tem menos calorias do que o açúcar, mas efeitos prejudiciais na nossa saúde”. Uma das situações que mais se associa é a do cancro.
“A evidência científica atual indica que, dentro de doses recomendadas, os adoçantes aprovados são considerados seguros. Não existe consenso robusto que demonstre que causem cancro”, reage Paula Beirão Valente.
Também Filipa Costa vinca que os adoçantes aprovados são “seguros”. “Contudo, isso não significa que sejam totalmente inócuos. Alguns estudos indicam que podem ter um impacto na alteração da microbiota intestinal e na resistência à insulina”.
Quais os melhores adoçantes?
“Nem o açúcar deve ser demonizado, nem os adoçantes vistos como solução mágica. O verdadeiro problema reside na elevada preferência pelo sabor doce e na dependência comportamental associada”, lembra Paula Beirão Valente.
Se o caminho para deixar o açúcar passar pelos adoçantes, “os mais interessantes serão os de origem natural, como stevia, eritritol e xilitol”, aponta Filipa Costa, lembrando, contudo, que o último “pode causar algum desconforto intestinal”.
A ciência mostra-nos que a exposição ao sabor doce, venha ele do açúcar ou dos adoçantes, nos mantém agarradas a esse perfil gustativo. “A estratégia poderá não ser substituir açúcar por adoçante, mas sim reduzir progressivamente a quantidade de açúcar adicionado, valorizando o sabor natural dos alimentos”, conclui Paula Beirão Valente.
Vai um cafezinho, sem açúcar?