CIVISA rejeita entrar em "especulações” sobre deformação de São Jorge

Agência Lusa , BCE
29 mar, 16:54
Ilha de São Jorge, Açores (Lusa/ António Araújo)

O Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias revelou que o volume estimado de uma possível intrusão de magma na ilha de São Jorge é de cerca de 20 milhões de metros cúbicos, comparável ao registado pela deformação do solo antes da erupção do Cumbre Vieja

O presidente do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) afirmou esta terça-feira que não existirem valores para tirar conclusões sobre a deformação do solo na ilha de São Jorge devido à crise sismovulcânica, rejeitando entrar em “especulações”.

Em declarações à agência Lusa, Rui Marques disse “não querer comentar os resultados dos colegas” das Canárias, que estimaram uma possível intrusão de magma em cerca de 20 milhões de metros cúbicos, mas salientou que a informação é “fruto de uma modelação numérica” e não de dados recolhidos “no terreno”.

“Temos tentado dar à comunicação social e passar para a população valores de medição reais. Os números de sismos, as magnitudes, se a energia está a aumentar ou a diminuir, se temos deformação medida, se não temos deformação medida. Tentamos não entrar muito no campo das especulações”, afirmou.

Segundo divulgou esta terça-feira a agência EFE, o Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias revelou que o volume estimado de uma possível intrusão de magma na ilha de São Jorge é de cerca de 20 milhões de metros cúbicos, comparável ao registado pela deformação do solo antes da erupção do Cumbre Vieja, em La Palma, em 2021.

À Lusa, Rui Marques frisou que existem “vários modelos” para calcular as “taxas de deformação”, assinalando que os valores estimados pelo Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias são “projeções”.

O responsável lembrou ainda que, desde o início da crise, o CIVISA tem “quatro estações no terreno” para “avaliar de forma muito precisa a deformação no local”.

“Ou seja: em vez de estarmos a utilizar uma técnica indireta através de imagens de satélite, estamos a utilizar uma técnica direta que está colocada diretamente na ilha de São Jorge e que nos permite ter uma maior resolução da deformação”, reforçou.

Ainda segundo Rui Marques, o CIVISA também já chegou “à conclusão de que há deformação vertical na ilha de São Jorge”, situação que se verifica desde o início da crise sismovulcânica.

Contudo, ressalvou, não existem dados recolhidos no terreno que comprovam uma “diminuição da velocidade de deformação” da ilha açoriana.

“Não temos ainda valores para que possamos prestar declarações quanto aos valores medidos por nós. Da nossa parte, densificamos a nossa rede de monitorização, mas ainda não temos dados suficientes para tirar conclusões”, afirmou.

A ilha de São Jorge contabilizou cerca de 12.700 sismos desde 19 de março, mais do dobro de todos os registados no arquipélago dos Açores desde 2021.

A ilha está com o nível de alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.

Cerca de 1.250 pessoas já abandonaram São Jorge, por via marítima e aérea, desde o início da crise sísmica.

A crise sismovulcânica em São Jorge iniciou-se às 16:05 de dia 19, tendo o sismo mais energético ocorrido nesse mesmo dia às 18:41 com uma magnitude de 3,3 na escala de Richter, mas sem provocar danos.

Segundo os dados provisórios dos Censos 2021, a ilha de São Jorge tem 8.373 habitantes, dos quais 4.936 no concelho de Velas e 3.437 no concelho da Calheta.

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