Ilha de São Jorge registou 291 sismos nas últimas horas, mas nenhum foi sentido pela população

Agência Lusa , RL
5 abr, 12:12
Ilha de São Jorge, Açores (Lusa/ António Araújo)

Todos os sismos registados até ao momento "evidenciam uma origem de natureza tectónica"

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) contabilizou, entre as 00:00 e as 10:00 desta terça-feira, aproximadamente 291 sismos na ilha de São Jorge, de "baixa magnitude" e "nenhum sentido" pela população.

Numa atualização feita às 10:00 locais de hoje (11:00 em Lisboa) o CIVISA informa também que "todos os sismos registados até ao momento evidenciam uma origem de natureza tectónica".​

A atividade sísmica que se tem vindo a registar desde a tarde de 19 de março na parte central da ilha de São Jorge, num setor compreendido entre Velas e Fajã do Ouvidor, "continua acima do normal", acrescenta o CIVISA.

Ao longo de segunda-feira, “a análise preliminar dos registos sísmicos permitiu contabilizar cerca de 399 eventos, mantendo-se a atividade sísmica estacionária relativamente ao dia anterior", lê-se no comunicado publicado na página da Internet do CIVISA.

CIVISA ainda não identificou qualquer anomalia

No seu comunicado, o CIVISA reitera que a medição de gases e temperatura no solo que vem sendo feita desde o início desta crise (a 19 de março), na área epicentral, "não resultou, até à data, na identificação de qualquer anomalia”.

Os levantamentos de campo continuam “nos próximos dias".

"No âmbito da monitorização geodésica, o CIVISA, em colaboração com outras entidades, está a reforçar a rede de observação baseada em estações GNSS e a proceder ao tratamento de imagens de satélite”, acrescenta.

Os dados existentes até à data “corroboram as observações sismológicas ao indiciarem a existência de alguma deformação na área epicentral", explica.

A informação disponível permite ainda "concluir que as estruturas tectónicas onde se desenvolveram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, no Sistema Vulcânico Fissural de Manadas, foram reativadas, sendo de admitir a ocorrência de uma intrusão magmática em profundidade".

Alerta mantém-se

O CIVISA repete hoje o alerta para "a possibilidade de ocorrência de sismos que podem atingir magnitudes mais elevadas do que as registadas até ao momento, assim como para o perigo de ocorrência de derrocadas potenciadas pela atividade sísmica".

"Existe a possibilidade real de se poder vir a registar uma erupção vulcânica, mas não há evidências de que tal esteja iminente", assinala.

Desde o início da crise sismovulcânica na ilha de São Jorge, a 19 de março, o sismo de maior magnitude (3,8 na escala de Richter) ocorreu no dia 29 de março, às 21:56.

"Até ao momento foram identificados cerca de 226 sismos sentidos pela população", informa o CIVISA.

De acordo com a escala de Richter, os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequenos (2,0-2,9), pequenos (3,0-3,9), ligeiros (4,0-4,9), moderados (5,0-5,9), forte (6,0-6,9), grandes (7,0-7,9), importantes (8,0-8,9), excecionais (9,0-9,9) e extremos (quando superior a 10).

A ilha mantém o nível de alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.

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