Energia: “Havia um obstáculo intransponível, a posição do Governo francês"

Agência Lusa , PP
22 out, 21:42
Marcelo Rebelo de Sousa (Lusa/José Coelho)

Presidente da República diz que acordo possível para interconexões ibéricas ultrapassou “beco sem saída”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que o acordo para acelerar as interconexões ibéricas foi o possível para ultrapassar o “obstáculo intransponível” da posição francesa e permitiu uma solução para um “beco sem saída”.

À margem da inauguração da sede do Conselho da Diáspora Portuguesa, em Cascais, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre as críticas ao acordo alcançado esta semana entre Portugal, Espanha e França sobre as interconexões ibéricas, em concreto as do vice-presidente do PSD, Paulo Rangel, que avisou que este acordo prejudica Portugal.

Escusando-se a comentar declarações de responsáveis políticos, o Presidente da República lembrou que se estava “num beco sem saída” uma vez que França, depois da mudança da presidência, “não aceitava qualquer tipo de interconexão”.

“Havia um obstáculo intransponível, a posição do Governo francês. Esse obstáculo foi ultrapassado. Dir-me-ão: mas era melhor que tivesse sido de outra maneira, era diferente se tivesse sido de outra forma. A realidade é que era zero, era uma oposição total”, afirmou.

Na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa foi “possível ultrapassar essa oposição” e “fazer a ligação em termos diferentes dos que tinham sido pensados há uns anos”.

“A política é feita disto, não é feita propriamente do ideal, é feita daquilo que é possível e aqui o possível é ou nada ou uma realidade como esta, abrindo o caminho agora na cimeira entre Portugal e Espanha para ver como é o financiamento e vendo como é que se transforma em concretização aquilo que é muito importante porque cada mês que passa, cada semestre que passa é um problema, não para Portugal e Espanha só nem sobretudo, é para a Europa porque se trata do fornecimento de gás e amanhã de hidrogénio verde para a Europa”, defendeu.

Para o Presidente da República esta “é uma saída muito melhor, de longe, do que a não saída que existia até há três dias”.

António Costa, Pedro Sánchez e Emmanuel Macron decidiram na quinta-feira avançar com um “Corredor de Energia Verde”, por mar, entre Barcelona e Marselha (BarMar) em detrimento de uma travessia pelos Pirenéus (MidCat).

O calendário, as fontes de financiamento e os custos relativos à execução do corredor verde BarMar serão debatidos num novo encontro a três em dezembro, em Alicante, Espanha.

De acordo com o texto do acordo, a que a Lusa teve acesso, os ministros da Energia dos três países – que também estiveram presentes na reunião – irão começar imediatamente o trabalho preparatório para avançar com o BarMar e também sobre o reforço das interligações elétricas entre Espanha e França, “em ligação estreita com a Comissão Europeia”.

Os dois primeiros-ministros ibéricos e o Presidente francês chegaram ainda a acordo na necessidade de “concluir as futuras interligações de gás renovável entre Portugal e Espanha, nomeadamente a ligação de Celorico da Beira e Zamora (CelZa)”.

As infraestruturas que serão criadas para a distribuição de hidrogénio “deverão ser tecnicamente adaptadas para transportar outros gases renováveis, bem como uma proporção limitada de gás natural como fonte temporária e transitória de energia”.

António Costa considerou que o acordo permite “ultrapassar um bloqueio histórico” relativamente às interconexões ibéricas para gás e eletricidade.

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