Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita estava fechado. No dia a seguir, Trump lembrou-se de uma nova exigência

23 jul, 16:34
Presidente dos EUA e príncipe da Arábia Saudita (AP)
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Pacto deixaria a Arábia Saudita perseguir o objetivo antigo de construir centrais nucleares no seu território, embora Trump garanta que não vai existir enriquecimento para fins militares

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita fecharam um acordo nuclear esta quarta-feira, pondo fim a uma espera de vários meses.

Prevê-se que o acordo de cooperação nuclear para fins civis tenha uma duração de 30 anos e que possa munir o reino saudita de capacidades para enriquecer urânio, embora Donald Trump tenha vindo esclarecer, esta quinta-feira, que o pacto não permitirá o enriquecimento de material nuclear.

Na mesma mensagem em que desmentiu as suspeitas, o presidente norte-americano acrescentou uma nova condição ao acordo assinado no dia anterior, garantindo que o plano só avançará se Riade normalizar as suas relações diplomáticas com Israel, ao aderir aos Acordos de Abraão.

“O Acordo Nuclear Civil (não haverá enriquecimento de material!) celebrado entre o Departamento de Energia dos Estados Unidos e a Arábia Saudita, que diz respeito apenas a utilizações não militares, como as que o Irão, os Emirados Árabes Unidos (e outros) já têm, será aprovado, mas está totalmente sujeito à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”, escreveu Trump na Truth Social.

A declaração do presidente dos EUA surge menos de um dia depois de a sua administração ter anunciado o acordo sem qualquer referência a Israel, apresentando-o como a base para “uma parceria de várias décadas, avaliada em milhares de milhões de dólares”.

Parceria essa que pode voltar a estar em causa, uma vez que a Arábia Saudita insiste em não normalizar as suas relações com Israel enquanto o governo israelita não concordar com a criação de um Estado palestiniano, “com prazos definidos” e num “caminho irreversível”, segundo o Financial Times.

Israel não demorou mais de uma hora a reagir à nova exigência de Trump, classificando uma eventual adesão dos sauditas aos Acordos de Abraão como um “avanço histórico para a paz no Médio Oriente”, através de uma declaração do gabinete de Benjamin Netanyahu.

Arábia Saudita não se compromete com inspeções da AIEA

O acordo estipula que empresas norte-americanas vão ajudar o reino a desenvolver o seu programa nuclear para fins civis. De acordo com informação avançada pelo Washington Post, o acordo permitiria ao país construir centrais nucleares, utilizando tecnologia norte-americana e abrindo caminho para um programa saudita de enriquecimento nuclear.

Este pacto deixaria a Arábia Saudita perseguir finalmente o objetivo antigo de construir centrais nucleares no seu território. O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, declarou anteriormente que o país procuraria desenvolver armas nucleares caso o Irão desenvolvesse as suas.

A decisão já gerou discussão no Congresso, com muitos legisladores a recear o acesso de mais países a programas de enriquecimento que possam, eventualmente, levar à produção de armas nucleares.

O facto de o acordo não exigir que a Arábia Saudita assine um protocolo separado da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) que permita inspeções sem aviso prévio por parte das Nações Unidas também tem levantado uma série de dúvidas entre os legisladores, avançou o portal Axios.

O secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, assegurou, no entanto, que os acordos “respeitam os mais elevados padrões de segurança nuclear e de não proliferação”. Também está incluido na resolução um “acordo bilateral de salvaguardas” entre ambas as partes, que, segundo o Departamento de Energia, impedirá o reino de instrumentalizar o programa para qualquer outro fim que não seja pacífico.

Na quarta-feira, a assinatura do acordo de cooperação foi relacionada pelo departamento norte-americano com um conceito de “renascimento nuclear” da Arábia Saudita, defendido por Trump.

As negociações sobre este acordo nuclear tiveram início durante a administração Biden, como parte de um acordo mais amplo que incluía um tratado de defesa entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, sendo que esse exigia, desde logo, que a Arábia Saudita assinasse um acordo de paz com Israel.

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