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Portugal foi a Bruxelas dizer que também apoia o acordo com a Mercosul. Do outro lado está França (e sete mil agricultores)

18 dez 2025, 18:02
Protesto de agricultores em Bruxelas (Marius Burgelman/AP)

Do lado de Portugal estão Alemanha e Espanha. Do lado de lá estão, além do país com a maior área agrícola da União Europeia, Polónia ou Itália

É dia de decisões na União Europeia, mas também é dia de divisões. Aproveitando que os líderes dos 27 Estados-membros estão reunidos em Bruxelas para decidirem como vão continuar a apoiar a Ucrânia, os agricultores europeus decidiram mobilizar-se para mostrarem que também querem ser ouvidos.

Sem acordo e divididos entre o uso dos bens russos congelados ou a emissão de dívida, os líderes da União Europeia também não encontram consenso na questão agrícola.

Para o chanceler da Alemanha e o primeiro-ministro de Espanha é fácil: o acordo com a Mercosul é para apoiar e para andar para a frente. O primeiro-ministro de Portugal defende a mesma visão, que tem como grande opositor o país com a maior área agrícola de toda a União Europeia, de acordo com dados do Eurostat.

A França, claro, que continua a não ver com bons olhos. Emmanuel Macron defendeu que ainda não está pronto para aceitar o acordo, que os agricultores avisam que coloca em causa a Política Agrícola Comum (PAC).

Para Alemanha, Espanha ou Portugal, que também são apoiados pelos países nórdicos, este acordo pode ser a chave para lidar com a incerteza vinda dos Estados Unidos. Nunca se sabe quando é que Donald Trump vai decidir acenar com as tarifas, pelo que facilitar negócios com um bloco tão importante como a América do Sul pode ajudar a uma maior independência em relação aos norte-americanos.

Em paralelo, os países que defendem o acordo olham também para o outro lado, já que se perspetiva a possibilidade de reduzir a dependência da China na importação de minerais críticos.

“Este acordo comercial é o primeiro de muitos que devem acontecer para que a Europa tenha ganhos geo-económicos e geopolíticos num momento em que está a ser claramente questionada por adversários como [o presidente da Rússia Vladimir] Putin ou até aliados tradicionais”, defendeu Pedro Sánchez, que encontrou respaldo em Luís Montenegro.

“Parece-me crucial que cheguemos… que consigamos alcançar um acordo e finalizar a assinatura do acordo da Mercosul. Seria imperdoável se falhássemos a conclusão de um acordo que demorou 25 anos a negociar”, acrescentou o primeiro-ministro português.

Para a Alemanha trata-se mesmo de uma questão de credibilidade. “Se a União Europeia quer continuar a ser credível na política comercial global, precisamos de tomar decisões agora”, afirmou Friedrich Merz.

Do outro lado está, sobretudo, França, que teme a entrada de bens mais baratos e que isso inunde um mercado já difícil para os produtores europeus.

Se não tiver a política, Emmanuel Macron tem os agricultores. Cerca de sete mil, mais precisamente, juntaram-se em Bruxelas para protestar de forma audível, obrigando a polícia belga a utilizar gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar a manifestação.

É que o protesto autorizado era para 50 tratores, mas apareceram mil.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, espera agora uma maioria alargada para poder viajar até ao Brasil, onde se prevê a assinatura do acordo que também envolve Argentina, Paraguai e Uruguai.

De momento é imprevisível o que pode acontecer, não se sabendo se existe uma maioria de 15 países, que perfazem os 65% necessários, para aprovar o acordo.

Além de França, países como Itália ou Polónia - também importantes a nível agrícola - ou a Hungria estão contra a medida.

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