"Disse-me que eu dali não levava mais nada": António acusa Frederico Varandas de lhe recusar ajuda para tratamentos 30 anos após a queda do varandim de Alvalade

17 mar 2025, 21:41
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Acidente ocorreu a 7 de maio de 1995. António Dionísio já se encontrava dentro do estádio quando o varandim da estrutura não aguentou a força dos adeptos e cedeu. Duas pessoas morreram. António Dionísio ficou em coma

Trinta anos depois da queda do varandim do antigo estádio de Alvalade, que matou duas pessoas e deixou várias pessoas com ferimentos graves, António Dionísio, vítima do incidente, acusa o presidente do Sporting de lhe recusar ajuda para os tratamentos.

"O presidente, no ano passado, disse que o meu processo no Sporting estava fechado, que eu dali não levava mais nada", conta António Dionísio à equipa do Acontece aos Melhores, da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal).

O acidente ocorreu a 7 de maio de 1995. António Dionísio já se encontrava dentro do estádio aquando da chegada do autocarro com a equipa do FC Porto. "Quando surge o autocarro do FC Porto, há uma ação-reação de se aproximar tudo do varandim", recorda João Guerreiro, amigo de António Dionísio.

Fernando Santos, antigo jornalista da TVI, fazia a cobertura do jogo no momento em que tudo aconteceu. "Eu olho para trás e começo a ver as pessoas a caírem em catadupa, uma coisa muito rápida e ninguém esperava uma coisa daquelas", recorda.

A estrutura do varandim não aguentou a força dos adeptos, que acorreram para pressionar o adversário, e cedeu. Por baixo, as imagens captadas mostram dezenas de jovens, alguns menores, caídos no chão, muitos inanimados.

Entre eles, captado pelas câmeras da TVI, António Dionísio, de apenas 17 anos. "Sofri várias lesões, desde fratura de dedos do pé esquerdo, fémur esquerdo, costelas, ombro, crânio, punho direito", conta a vítima.

"O mais impressionante foi ver as pessoas a caírem, umas em cima das outras. E depois algumas a levantarem-se e outras a ficarem ali", lembra Fernando Santos.

No dia seguinte, 20 pessoas continuavam internadas nos hospitais, duas das quais em coma. Foi o caso de António Dionísio, que esteve em coma e à beira da morte.

"20 anos depois, os joelhos começaram a dar de si"

Apesar do trauma, António, hoje com 47 anos, conseguiu voltar a ter alguma normalidade na vida. O Sporting responsabilizou-se ao longo de vários anos pelo pagamento de todas as despesas de internamento e reabilitação.

António Dionísio garante, porém, que nunca recuperou na totalidade. "Em 2020, cerca de 20 anos depois, os joelhos começam a dar de si. Ou seja, neste caso, o joelho direito porque andou a suportar o lado esquerdo todo, porque foi o lado que eu parti praticamente todo", conta à equipa do Acontece aos Melhores.

Depois de vários exames, o médico que o acompanhava informou-o que tinha de ser operado ao joelho. Na altura, num evento público, dirigiu-se ao atual presidente do Sporting, Frederico Varandas, que prometeu analisar o processo e ver o que poderia fazer.

"Entretanto, mais um ano passou, novamente no 7 de maio, voltei a abordar o assunto. Foi quando o presidente, agora o ano passado, me disse que o meu processo no Sporting estava fechado, que dali não levava mais nada", diz António Dionísio.

Questionada pela equipa do Acontece aos Melhores se o Sporting, aos dias de hoje, é obrigado a pagar os tratamentos a António Dionísio, a advogada Rita Garcia Pereira deixa claro: "O Sporting à época, era obrigado a custear os tratamentos por força de ser responsabilizado por um evento que resultou de más condições estruturais do próprio estádio. Aos dias de hoje, o Sporting tem de pagar a este homem, única e exclusivamente, os tratamentos que decorram dos danos que foram produzidos em 1995."

A equipa do Acontece aos Melhores questionou o Sporting e o presidente, Frederico Varandas, sobre o caso. Na resposta, o clube diz apenas que prestou todo o apoio ao adepto na altura devida.

Quanto a nós, se tem algum problema que não consegue resolver, conte-nos a sua história. O e-mail é o do costume: aconteceaosmelhores@tvi.pt.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Crime e Justiça

Mais Crime e Justiça