Torres Gémeas, um choque em terra ou uma colisão no ar: os piores desastres de aviação
O avião da Air India que não chegou a completar um minuto de um voo que devia durar quase 10 horas acaba de entrar para uma lista negra. Mesmo que ainda falte saber quantas pessoas morreram ao certo, a confirmação da polícia de que há mais de 290 vítimas mortais atira este acidente o topo dos piores de sempre.
As Torres Gémeas
Uma lista encabeçada pelos dois voos que colidiram com as duas torres do World Trade Center a 11 de setembro de 2001, num atentado que matou quase três mil pessoas nos Estados Unidos.
O American Airlines 11 e o United Airlines 175 colidiram com as duas torres de Nova Iorque, que Osama bin Laden entendia serem símbolos do capitalismo dos Estados Unidos.
Além dos vários passageiros e membros de tripulação que iam a bordo, o embate provocou a morte a centenas de pessoas que trabalhavam nas torres. Depois, e no frenesim de tentar resgatar o máximo de vítimas, vários operacionais dos bombeiros, polícia e outros foram apanhados na tragédia.
O mundo da aviação, sabemos, mudou depois desse dia.
Pan Am, choque frontal
O cenário de um choque entre dois aviões é quase impensável. Porque parece impossível de acontecer, mas, sobretudo, porque é difícil de imaginar a dimensão do mesmo em termos de vítimas.
Mas isso foi possível de perceber em 1977, quando se deu o maior desastre aéreo da história, se falarmos de acidentes relacionados exclusivamente com a operação aérea - o que exclui o 11 de Setembro, que teve envolvimento terceiro de terroristas.
Uma combinação de fatores originou um cocktail explosivo que apanhou um avião da Pan Am e um outro da KLM pelo meio, matando 583 pessoas, depois de um dos aparelhos abalroar o outro enquanto descolava.
Num dia de intenso nevoeiro, o tráfego aéreo ficou completamente caótico depois de uma bomba ter explodido no principal aeroporto de Grande Canária. Tenerife tinha, então, de receber os grandes aviões que acabaram desviados. Um deles foi o da Pan Am, que acabou totalmente despedaçado pelo da KLM.
Pelo meio esteve uma total falha de comunicação de um aeroporto que não estava preparado para tanto tráfego, o que adensou os problemas de um local com quase zero visibilidade por causa do nevoeiro.
O avião neerlandês acelerou a toda a velocidade e irrompeu pelo meio do norte-americano. Apesar da tragédia, 61 pessoas sobreviveram no lado dianteiro do avião da Pan Am.
Descontrolo total
Foi num voo doméstico entre Tóquio e Osaka que o Japão viveu o seu pior desastre aéreo, um dos piores do mundo.
Depois de uma falha estrutural que os pilotos ainda tentaram conter, 520 pessoas acabaram por morrer.
Nesse verão de 1985 houve quatro milagres: sobreviventes que resistiram aos ferimentos e ficaram para contar a história.
Como em tantos outros casos, veio a saber-se que a falha surgiu depois de técnicos da Boeing não terem reparado devidamente um dano sofrido na cauda do avião sete anos antes. Essa mesma falha acabou por ceder, levando à rápida descompressão do avião, o que causou a perda dos sistemas hidráulicos e, posteriormente, de todos os controlos de voo.
É, ainda hoje, o pior desastre a envolver apenas um avião e que se deveu a uma falha estrutural na mecânica.
Colisão no ar
É raro, muito raro, mas aconteceu uma vez de forma desastrosa. Dois aviões da Saudia e da Kazakhstan Airlines colidiram em pleno voo, provocando a morte a todos os 349 ocupantes de ambos os aparelhos.
Apesar de não envolver aviões indianos, o acidente de 1996 deu-se em espaço aéreo da Índia. O avião da Saudia ia a sair de Nova Deli, enquanto o cazaque vinha a chegar. Acabaram por colidir no ar depois de erros de comunicação entre os pilotos dos dois aviões e o controlador aéreo que acompanhava ambas as ligações.
Estes são os cinco acidentes aéreos mais mortíferos de sempre, numa lista que, feita até aos 10 acidentes piores acidentes de sempre, passa a incluir o voo da Air India que se despenhou esta quinta-feira. Uma lista que inclui, por exemplo, o avião da Malaysian Airlines que foi abatido por separatistas pró-russos durante a passagem no Donbass. Nesse dia, em 2014, morreram 298 pessoas.
Entre os dez mais mortíferos de sempre estão ainda um acidente da Turkish Airlines em 1974 (346 mortos), um da Air India em 1985 (239 mortos) e um outro da Saudia em 1980 (301).
