Vítimas mortais identificadas são de sete nacionalidades diferentes. Relatório sobre as causas chega dentro de mês e meio

4 set 2025, 20:57

13 das 16 vítimas mortais estão identificadas. Segundo as autoridades portuguesas, entre os feridos há cidadãos brasileiros, portugueses, israelitas, franceses (entre outras nacionalidades)

O diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, revelou esta quinta-feira em conferência de imprensa que foram "plenamente identificados" entre as vítimas mortais cinco cidadãos portugueses, dois sul-coreanos e um suíço (esta vítima suíça foi identificada com a ajuda da Interpol). Por outro lado: através de informação recolhida junto de embaixadas e familiares, foi ainda possível concluir, com "elevado grau de probabilidade", a identidade de um cidadão alemão, dois canadianos, um ucraniano e um cidadão norte-americano. Três vítimas mortais continuam por identificar.

Luís Neves destacou que a linha telefónica que a PJ disponibilizou para receber informações - 211 968 000 - permitiu obter mais de 200 chamadas nas primeiras horas - este facto permitiu "a recolha de informações úteis" e ainda o "apoio aos familiares das vítimas".

O diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Castro Almeida, explicou na mesma conferência de imprensa que foram assistidos 23 feridos, 13 dos quais ligeiros e 10 graves. Um dos feridos graves acabou por falecer. Entre os feridos foram identificadas pessoas das seguintes nacionalidades, segundo Álvaro de Castro Almeida: portuguesa, alemã, sul-coreana, suíça, cabo-verdiana, marroquina, espanhola, israelita, brasileira, italiana e francesa. A embaixada de Israel contactou a CNN para informar que não tem registo de qualquer cidadão seu entre as vítimas.

Seis dos feridos permanecem em cuidados intensivos, três estão em estado "mais favorável". Todos os feridos ligeiros já tiveram alta.

Relatório preliminar dentro de 45 dias

O diretor-geral do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Ferroviários (GPIAAF), Nelson Oliveira, avançou que foi iniciada no terreno a recolha de indícios e segue-se a análise dos veículos envolvidos, bem como entrevistas às equipas de manutenção e gestão. O relatório preliminar deve ser publicado no prazo de 45 dias, afirmou Nelson Oliveira, que também participou na conferência de imprensa.

Nelson Oliveira sublinhou que a investigação do GPIAAF tem como único objetivo identificar as causas e melhorar a segurança - e não atribuir responsabilidades criminais. “Tudo faremos para que deste trágico evento sejam retirados ensinamentos de segurança que evitem outros acidentes similares, para que o sacrifício destas vítimas não tenha sido em vão. É para isto que nós trabalhamos.”

O GPIAAF dispõe neste momento nos seus quadros, segundo Nelson Oliveira, de um único investigador específico para o setor ferroviário. A coordenação operacional foi assumida pelo diretor, que acumula funções de chefe de unidade de transporte ferroviário, apoiado por esse investigador.

Face à natureza e à dimensão dos exames necessários, as autoridades confirmaram que vão recorrer a peritagens externas especializadas, como universidades, institutos e laboratórios, e que já existem manifestações de disponibilidade de organismos homólogos para cooperarem, caso a colaboração se revele necessária e relevante.

Outros dos participantes na conferência de imprensa foi o presidente do Instituto de Medicina Legal (IML): Francisco Corte Real revelou que o IML acionou a equipa de desastres de massa, o que permitiu que as 16 autópsias fossem concluídas até ao início da tarde desta quinta-feira num tempo considerado “absolutamente recorde”.

Foram mobilizados 37 elementos do instituto, vindos de várias regiões do país, nomeadamente do Porto, de Coimbra e de Tomar, com o objetivo de agilizar a identificação e "minorar o sofrimento das famílias". Os métodos utilizados incluíram impressões digitais, perfis genéticos e fórmulas dentárias.

"Os corpos identificados estão em condições de ser libertados e os resultados das autópsias serão remetidos ao Ministério Público", anunciou Francisco Corte Real.

Próximos passos

Quanto aos corpos que continuam por identificar, o IML e a equipa forense prosseguem o trabalho: foi confirmado que a determinação dos perfis genéticos será concluída durante a noite e que a identificação final depende da comparação desses perfis com amostras de referência - recolhidas a familiares ou obtidas a partir de objetos pessoais - ou com bases de dados quando for possível e legítimo fazê-lo.

A Polícia Judiciária anunciou que a recolha de indícios no local foi considerada concluída. As ações de criminalística e a colheita de elementos que tinham obrigatoriamente de ser feitas “in loco” já foram realizadas. Segundo a PJ, prosseguem agora ações de investigação que não exigem presença física no local, como a análise documental, o tratamento e cruzamento de dados e as diligências periciais sobre materiais e componentes recolhidos.

A locomotiva acidentada ficará sob a guarda das autoridades. A PJ justificou a retenção pela necessidade de realizar diligências complementares de perícia no material do veículo.

A PJ sublinhou que pretende imprimir “toda a celeridade” possível ao processo investigativo por razões óbvias - a necessidade de resposta às famílias e à opinião pública - mas reforçou que essa rapidez será sempre compatível com as exigências de segurança e rigor que a investigação criminal impõe.

“Muita gente morreu, é um momento muito difícil para todos e naturalmente colocamos desde o primeiro momento todos os meios, todas as valências, para obter essa resposta”, disseram as autoridades.

As mesmas fontes adiantaram que não irão projetar hipóteses sem fundamento sobre as causas do acidente: “Não vamos fazer a perspetiva do que pode estar na base da ocorrência porque essa perspetiva não existe e nós não podemos estar a falar sobre aquilo que não existe”, afirmou o diretor nacional da Polícia Judiciária, enfatizando que só as perícias e a análise técnica permitirão conclusões fiáveis.

O diretor-geral do GPIAAF garantiu uma “análise perfeitamente exaustiva” de toda a documentação e dos procedimentos que possam ter relevância para as causas próximas e remotas do acidente, como o projeto e características técnicas do material acidentado, o regime de manutenção aplicado ao veículo e histórico de intervenções, formação e qualificação dos trabalhadores que executaram operações de manutenção e operação, registo documental, boletins de manutenção, relatórios técnicos e eventuais comunicações prévias relativas ao estado dos veículos e contratos de prestação de serviços com fornecedores externos.

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