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Um acelerador, um letreiro errado, dois mortos e 22 feridos: tudo o que se sabe do acidente em Agualva-Cacém

7 jul, 20:57
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Autocarro não terá sofrido qualquer despiste nem avaria mecânica. Motorista pode ser indiciada por crimes de homicídio por negligência

Duas pessoas morreram e, pelo menos, outras 22 ficaram feridas na sequência do despiste de um autocarro da Carris Metropolitana, operado pela Viação Alvorada, no terminal rodoviário de Agualva-Cacém, no concelho de Sintra. O acidente ocorreu num dos principais interfaces de transportes do país, utilizado diariamente por milhares de passageiros, e as causas continuam por apurar. 

Este é o ponto de situação do que se sabe até ao momento:

O acidente

O alerta foi dado às 09:42, depois de um patrulha da PSP que passava no local se deparar com o acidente, inicialmente comunicado como um atropelamento rodoviário. 

Segundo a PSP, o autocarro despistou-se no túnel de acesso à estação ferroviária e ao terminal rodoviário de Agualva-Cacém, embatendo violentamente num dos pilares da infraestrutura. Na sequência do despiste, a viatura atropelou duas mulheres que se encontravam na paragem e colidiu contra o pilar.

O acidente ocorreu na Rua Elias Garcia, num terminal intermodal onde convergem comboios da Linha de Sintra e dezenas de carreiras rodoviárias da Carris Metropolitana. Milhares de passageiros utilizam diariamente esta interface, um dos principais nós de transporte da Área Metropolitana de Lisboa.

Até ao momento, as autoridades continuam a investigar as circunstâncias do acidente. A CNN Portugal apurou, no entanto, que o autocarro não sofreu qualquer despiste nem qualquer avaria mecânica. Segundo a versão apresentada pela motorista às autoridades e aos responsáveis da empresa, o veículo encontrava-se parado no terminal, a recolher passageiros, quando um dos utentes a alertou para o facto de o número apresentado no letreiro frontal estar incorreto.

Ao tentar corrigir a informação no letreiro digital, a motorista terá perdido momentaneamente o equilíbrio e pressionado inadvertidamente o pedal do acelerador, fazendo com que o autocarro arrancasse bruscamente. 

A mesma versão foi corroborada por testemunhas ouvidas no âmbito da investigação. Segundo apurou a CNN Portugal, estes elementos afastam, para já, a hipótese de qualquer ato intencional, remetendo o caso para uma eventual investigação por crimes de homicídio por negligência.

A TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) fez uma simulação em Inteligência Artificial para tentar explicar como tudo aconteceu.

As vítimas

As duas vítimas mortais são duas mulheres, com idades "entre os 30 e os 40 anos", segundo o INEM. Ambas aguardavam o autocarro na paragem quando foram atingidas pela viatura. 

Além das duas mortes, o acidente provocou 22 feridos, na sua maioria passageiros do autocarro. 

O intendente Francisco Alves, comandante da Divisão Policial de Sintra da PSP, explicou que a prioridade continua a ser a assistência às vítimas, incluindo as que não sofreram mazelas físicas, mas tiveram de ser assistidas psicologicamente por causa do choque - nos vídeos disponíveis a partir do local ouvem-se vários gritos e é visível o choque na cara das pessoas.

Os feridos foram encaminhados para várias unidades hospitalares da região de Lisboa, nomeadamente os hospitais Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), São Francisco Xavier, Santa Maria e Cascais. Segundo apurou a CNN Portugal, a maioria apresenta traumatismos cranianos e lesões nos membros, considerados ferimentos ligeiros. 

Ao final da tarde, a Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra comunicou que só o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca recebeu 15 utentes. Destes, um foi triado como muito urgente, recebendo pulseira laranja de acordo com o Sistema de Triagem de Manchester. Sete utentes foram classificados como urgentes, tendo recebido pulseira amarela, enquanto os restantes sete foram considerados pouco urgentes, sendo-lhes atribuída pulseira verde.

"Os utentes admitidos têm vindo a ser observados de acordo com a respetiva situação clínica, encontrando-se as equipas médicas, de enfermagem e restantes equipas de profissionais mobilizadas para prestar os cuidados de saúde necessários, de modo a ajudá-los a ultrapassar esta situação”, refere a ULS Amadora/Sintra.

O autocarro

O veículo pertence à Carris Metropolitana e era operado pela Viação Alvorada. 

A CNN Portugal apurou que a motorista fazia o início de um percurso curto na zona do Cacém quando ocorreu o acidente. De acordo com a repórter da CNN Portugal no local, "ficou de tal forma transtornada que recebeu logo no local apoio psicológico".

Até ao momento, as causas do despiste continuam por esclarecer. O intendente Francisco Alves, comandante da Divisão Policial de Sintra da PSP, garantiu, em declarações aos jornalistas, que a brigada de Investigação de Acidentes do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP "está a recolher todos os dados" para determinar o que esteve na origem do acidente.

O túnel de acesso à estação permaneceu condicionado durante várias horas para permitir os trabalhos das autoridades e a remoção do autocarro, que aconteceu durante a tarde.

"É impressionante a imagem que nos fica na memória, que é a do vidro da frente bastante destruído e depois os dois vidros laterais do lado esquerdo também completamente destruídos. Isso revela a violência com que embateu no poste", descreveu a repórter da CNN Portugal Ana Valente.

O momento em que o autocarro é rebocado. (Fotografia: CNN Portugal)

As testemunhas

Quem assistiu ao acidente fala em momentos de grande aflição. "Era sangue por todo o lado. Quando entrei ali, entrei em pânico. A estação estava cheia, não dava para passar", contou uma testemunha à CNN Portugal.

Outra pessoa que se encontrava no terminal recorda que só depois dos primeiros momentos percebeu a dimensão da tragédia. "Quando demos conta foi toda uma cena de pessoas no chão feridas e inclusivamente duas pessoas que vieram a óbito."

Outra testemunha relatou ainda que muitas das pessoas presentes acreditam que a motorista tentou travar antes do embate. "Logo de seguida chegaram os serviços de urgência e a polícia para fazer o isolamento da área. Muitas pessoas que estavam presentes dizem que a condutora tentou travar o autocarro, mas não conseguiu."

No local estiveram 57 operacionais, apoiados por 30 veículos, entre bombeiros, PSP, INEM, Proteção Civil e Câmara Municipal de Sintra.

Além das equipas de socorro, foram mobilizados psicólogos do INEM e da Câmara de Sintra para prestar apoio às vítimas, familiares e operacionais.

As reações

Visivelmente emocionado, Marco Almeida, presidente da Câmara Municipal de Sintra, lamentou a perda das duas vítimas mortais e deixou uma mensagem de solidariedade às famílias:

"Quero lamentar a perda de duas vidas e deixar às famílias um voto de solidariedade da parte da Câmara Municipal de Sintra. Podem contar com a Câmara nos dias que agora se seguem. Quem perdeu a vida era gente de trabalho e isso custou muito."

Entretanto, fonte da autarquia revelou à agência Lusa que o Presidente da República, António José Seguro, telefonou a Marco Almeida para apresentar condolências e inteirar-se da situação.

Também a Transportes Metropolitanos de Lisboa lamentou o acidente.

Em comunicado, a empresa afirmou que "a prioridade absoluta neste momento é prestar todo o apoio às vítimas, aos seus familiares e às equipas envolvidas", acrescentando que está em articulação permanente com a Viação Alvorada, os serviços de emergência e as autoridades e que colaborará no apuramento das circunstâncias do acidente.

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