Caso surgiu após denúncias de utentes nas redes sociais
A Inspecção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu esta terça-feira um inquérito "para investigar o acesso a dados clínicos de utentes Serviço Nacional de Saúde".
À CNN Portugal, fonte oficial da IGAS adiantou que o organismo recebeu várias participações sobre a situação. Em causa está o acesso indevido a dados clínicos de 100 mil utentes, grande parte deles crianças, através da utilização de credenciais de um médico não especialista que trabalhou em Miranda do Corvo e que agora está na Unidade Local de Saúde do Alto Minho.
O caso surgiu após denúncias e relatos de utentes nas redes sociais sobre notificações de acesso aos seus processos através do SNS 24, o que levou à apresentação de queixas junto de várias entidades de saúde.
O pai de uma criança de quatro anos contou à agência Lusa que teve conhecimento de que tiveram acesso ao registo do filho na sequência de várias mensagens trocadas no grupo de pais no Whatsapp, acrescentando que “os acessos são às centenas na zona norte e centro do país”.
Segundo o relato de vários pais do colégio da região Norte, o acesso aos processos decorreu durante a madrugada e manhã de sexta-feira e terá, pelo menos num caso, abrangido os registos do agregado familiar.
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Carlos Cortes, disse esta sexta-feira à Lusa que recebeu dezenas de queixas relativas a uma alegada consulta indevida de processos clínicos de crianças por parte de um médico da ULS Alto Minho, num caso que aponta para uma possível falha de cibersegurança no SNS.
A Ordem dos Médicos enviou ofícios ao Ministério Público, aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e à ULS do Alto Minho, e que a situação está a ser acompanhada pelas entidades competentes.
Contactados pela agência Lusa, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) afirmaram que não comentam casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança, mas asseguram que todas as comunicações sobre estes possíveis incidentes são analisadas.
Na resposta escrita, os SPMS asseguram ainda que estão “em permanente articulação com as autoridades competentes” neste tipo de situações e “sempre que há indícios de factos ilícitos, estes seguem os trâmites instituídos”.
